—Mas o que elle te vae é muito lindo! Pódes ter essa gavança, mulher! Faz gosto olhar para elle. Ninguem ahi põe um defunto na igreja, tão bem arranjado, como tu.

Isabel respondeu:

—Lá isso, hei de fazer sempre assim, emquanto Deus me der vida e saude...

Passado certo tempo, quando todas as idéas tristes pareciam distantes, á Lindoria, que tinha confiança na casa, veio-lhe a lembrança sensatissima, de que Isabel precisaria de comer... Por isso lembrou-lhe:

—Tu has de estar por força fraca e esse chorar faz-te mal... póde-te caír no coração.

A viuva recusou-se teimosamente, dizendo que não lhe entraria nem uma bucha de pão na boca... parecia-lhe que tinha comido o seu ultimo bocado... e, fallando em morrer, o seu desespero era enorme e as palavras afflictivas!...

Porém, Lindoria, muito prudente, dizia reprehensiva e com auctoridade:

—Estás tola, rapariga! Não querer comer!!... São lá cousas que se digam! Olha que até offendes ao Senhor, que te creou!... A gente deve fazer bem ao seu corpo, para poder louvar a Deus, e engrandecer a Sua Infinita Misericordia...

E acrescentou, depois de se assoar com estrondo:

—... Ouvi estas verdades da bôca d’aquelle santo missionario que ali esteve em Refuinho, e que teve artes de levar para o reino da gloria a Rosaria do Thomaz do Monte... Sabeis que ella já vos faz tantos milagres que, aos domingos, é uma romaria n’aquella igreja?!..