Béu, béu, béu,

Vae p’r’ó céu.

Ao que os rapazes, que conduziam o corpo, respondiam, fingindo vozes profundas e graves, espaçando as syllabas:

Engola, engola,

Vae p’r’a cova.

Depois, todos juntos, communicando uns aos outros certa alegria sorumbatica e nervosa, cantavam em côro, n’um tom mais cadenciado, largo e solemne:

Quem ’stiver no inferno

Saia cá p’ra fóra!

As creanças achavam isto divertido, apesar de procurarem adquirir semblantes sérios e respeitosos, fingindo attitudes de homens, endireitando o tronco, e esforçando-se por acertar o passo. Porém, como não sabiam coordenar bem os movimentos, em certo instante, pucharam em differentes sentidos e quasi deixaram caír desastradamente o cadaver do Coisa!... O coveiro sentiu rasgar-se-lhe o coração e deu um grito instinctivo e dilacerante! Os rapazes pararam rapidamente, ficando quietos e silenciosos diante d’aquella manifestação inexperada de uma dôr humanamente sentida! Continuaram depois o seu caminho, n’um silencio meditado e mais triste!...

Quando subiam a encosta do monte, o rosto do Coruja cobriu-se de certa melancolia, caminhando devagar, com o corpo inclinado para diante, absorvido na idéa da sua perda! Chegando ao cimo, parou junto de uma agglomeração de penedos. Esteve alguns segundos meditativo encostado á enxada... Mas depois, dando á cabeça um movimento impulsivo e retomando o seu tom comico anterior, disse com o chapéu levantado ao ar: