—Ah! a menina leu isso nos livros?

—Sim, senhor, e como pessoa que se interessa no seu bem-estar, recommendo-lhe o uso da carruagem.

—E o carroção não fará o mesmo effeito?

—Creio que não: o carroção é mais moroso, menos agitado, mais impertinente nos solavancos.

—Pois eu estava resolvido a mandar fazer um carroção, porque tenho uma junta de bois na minha quinta de Lordello, e, visto o que me diz...

—Parecia-me que v. s.ª deveria possuir carruagem, já que os bens da fortuna lh'o permittem.

—Lá isso tenho eu para mais; mas que diriam os meus visinhos se me vissem de carruagem? Eram capazes de me apupar os tratantes!

—Deixe-se d'isso, senhor Silva. As suas commodidades são mais attendiveis que a critica estupida dos seus visinhos. Ora diga-me: se casasse com uma senhora debil, que precisasse de passear de carruagem para entreter o espirito nas delicias do campo, v. s.ª não lh'a compraria?

—Isso comprava; ponto é que minha mulher me fosse leal, e precisasse d'ella, porque lá, por luxo, acho que era uma asneira sustentar uma parelha de machos, e dois criados. E não será melhor uma cadeirinha, ou uma liteira?

—Isso é antiquissimo!... De que serve o dinheiro, se o não fazemos servir aos nossos prazeres?