Elisa parece que se esquivava á sua amiga. Rosa ensaiou uma pergunta definitiva; mas não ousou proferil-a.
Ao terceiro dia, uma carta do senhor Antonio José da Silva foi causa de grandes dissabores. O conteúdo era assim:
«Senhora D. Maria Elisa.
Porto, 24 de abril de 1818.
«Minha senhora do meu coração e da minha particular estima. Faz hoje tres dias que fallamos em certo negocio a respeito da nossa união. Muito desejava eu saber, para meu governo, se v. s.ª está resolvida a dar-me a sua mão de esposa. Estes negocios não devem demorar-se. Eu já lhe disse o que lhe tinha a dizer. Por motivos, que á vista lhe direi, estou deliberado a casar-me o mais breve. Soube que v. s.ª sympathisava comigo, e eu da minha parte não desgosto da sua pessoa. Por isso, se houver de se fazer este casamento, ha de ser já, quando não com bem desgosto do meu coração procurarei outra que tenha as boas qualidades da menina. Peço-lhe que responda com brevidade. Mande no seu serviço este que é e será até á morte
De v. s.ª
Attento venerador e criado obrigado,
Antonio José da Silva.»
Está conforme o original, excepto a grammatica, a pontuação, e a orthographia.
Maria Elisa, não podendo illudir as instancias de Rosa, sem lêr a carta, ralatou a seu modo o conteúdo. Vejam que a vaidade não a deixava já expor ao escarneo da sua amiga a redacção do capitalista! Por mais que a curiosa teimasse, não conseguiu julgar do coração do seu antigo amante pela eloquencia da carta!