«Maria Elisa Sarmento de Athaide.»

O senhor Antonio leu tres vezes a carta e entendeu o essencial. Uma das maiores difficuldades que zombaram da sua intelligencia foi a mais simples das cousas: a assignatura.

—Como é (dizia elle) que ella se chama Sarmento de Athaide, se seu pae era Joaquim Nunes, e sua mãe Michaela Felisberta? Isto, pelos modos, cada qual assigna-se como quer! Pois eu hei de morrer, como nasci...

Estas sensatas reflexões foram interrompidas pela senhora Angelica.

—Já recebeste resposta, Antonio?

—Agora mesmo.

—Ora lê lá isso.

O noivo leu a carta, que sua irmã ouviu com a bôca aberta, franzindo a testa a cada palavrão, que seu mano não entendia melhor que ella.

—Está uma carta d'uma vez!—disse a senhora Angelica, abrindo os olhos para o lado da testa, e apanhando com os seus tres dentes, resto de maior quantia, o beiço inferior, em signal de admiração—Isso é que é fallar! O diacho da rapariga parece que tem cousa má! Aquillo é que é uma cabecinha! Diz que bota sonetos, e lê pelos livros grandes dos doutores! Ora vejam lá como a boa da pequena, sabe estas palavras, e diz tudo que faz mesmo pasmar!... É um regalo ouvir essa carta... Ora lê lá outra vez, meu querido Antoninho, que tens uma noiva de toda a sabedoria!

O senhor Antonio leu quinta vez a sublime carta.