—Senhora regente, não sei se essa menina já lhe disse que será brevemente minha esposa.

—Nada, ainda não... E estava calada com isso? Receba os meus parabens, minha ruimzinha, que me fez cabellos brancos com as suas travessuras...

Elisa sorriu-se, e o noivo atalhou:

—Creancices... tudo tem o seu logar. Agora ahi onde a vê é uma mulher de tino, que sabe o que lhe convém, e não dá ouvidos a tôlas... Eu cá me entendo... Pois, senhora, como lhe vinha dizendo, trata-se o nosso casamento, que ha de fazer-se, querendo Deus, o mais tardar quinze dias... Esta menina veio outra vez para aqui lá por cousas que ella sabe, e fez ella muito bem... Com doudos nem para o céo... Eu cá me entendo... Acho que por poucos dias não será necessario arranjar casa cá dentro, e eu venho pedir á senhora regente o favor e obsequio de m'a ter na sua companhia, que eu hei de saber-lhe agradecer de modo que...

—Pois não, senhor Silva!? Não só isso, mas tudo o mais que estiver ao meu alcance... O que eu sinto é não ter um palacio para lhe offerecer; mas a boa vontade supprirá as faltas.

—Muito agradecida, senhora regente—disse Elisa, entristecendo-se a ponto de lhe tremerem as lagrimas nos olhos.

—Que tem, minha menina, chora, quando vai ser tão feliz?

—Nada... eu não choro...

—São saudades da sua amiga Rosa?

—Não, minha senhora... eu não tenho saudades de amiga nenhuma.