—Diz muito bem...—acudiu o jucundo negociante—Saudades são seccuras... ora adeus! Saudades de quê? A menina, não precisa de ninguem... Eu vou ser seu marido, e seu pae, e seu amigo. Não lhe ha de faltar nada, e não ha de faltar quem se morda de inveja... eu cá me entendo... Então fiquemos certos no pedido que lhe fiz?
—Já disse, e repito, senhor Silva; na minha companhia só não prometto a esta menina o impossivel de fazer-se n'estas casas para estar bem... Ella já sabe como é o recolhimento, e não estranhará as faltas...
—De certo não estranho, minha senhora; isto hoje parece-me mais bello que nunca. Hei de gosar, na sua preciosa companhia, deliciosos momentos...
—Mais deliciosos ha de ir gosal-os depois na companhia do senhor Silva, que é um homem honrado, e que sabe dar valor ao merecimento da menina.
—Isso póde ella estar certa, que se a não tratar melhor é porque não sei... Ora pois, senhora regente, eu queria fallar em particular com a minha futura esposa.
—Eu retiro-me, senhor Silva. Fique na certeza de que serei como tia d'esta menina.
—Ora, minha cara menina—disse o negociante logo que a regente sahiu—é necessario preparar os seus arranjos para o casamento. Eu não sei lá d'esses enfeites de noiva, senão eu seria o proprio comprador. A menina mande chamar costureiras, e ourives, e lá essa gente que vende as trapalhadas. Aqui deixo cem peças; sendo necessario mais, não tem senão escrever-me um bilhete... Tambem lhe quero offerecer uma prenda, que me não pareceu fóra de proposito: é um pente de diamantes, que lhe ha de dizer bem com o cabello, acho eu.
—Agradecida.
—Aqui não ha que agradecer. Eu bem sei que a menina lá lhe parece que eu sou algum unhas... Está enganada de meio a meio. Eu sou sovina com quem me parece; mas com a que ha de ser minha mulher dou muitas graças a Deus por ter muito que gastar com ella, assim Deus nos dê saude para o gosar. Então que me diz?
—Digo que o pente é riquissimo, e que estou muito penhorada dos seus generosos sentimentos para comigo.