—Não ha de quê. O que eu quero é que a menina se porte bem, e não dê que murmurar ás linguas damnadas... Eu cá me entendo...
—Farei tudo que em mim caiba por merecer um bom conceito de toda a gente.
—É o que se quer. Ora diga-me, qual gosta mais, de viver na aldeia ou na cidade?
—Na cidade. Eu não gosto da aldeia; e v. s.ª gosta?
—Deixemo-nos de senhorias; o melhor é tu cá, tu lá, não lhe parece, menina?
—Eu pedia-lhe licença para por emquanto não tomar a liberdade de lhe dar tal tratamento. V. s.ª póde tratar-me como lhe aprouver.
—Pois então lá como quizer. Eu cá acho mais não sei que no coração se lhe dér um tu.
—Pois satisfaça o seu coração, que eu tenho muita gloria em merecer-lhe esse novo signal de estima.
—Pois então ahi vai... Com que então tu não gostas da aldeia? Estás-te a rir? Pois olha que eu gostava da aldeia, e, desde que me disseste que não gostavas, a fallar-te a verdadinha pura, tanto se me dá, como se me deu. Como te vi assim a modo de poeta, pensei que gostavas de ouvir cantar os passaros, que é a mania dos poetas, que todos fallam em rouxinoes, e não sei em que outros passarôlos que se chamam graças, ou garças, e zephyros, e não sei que mais ninhadas e aves, que ninguem conhece, penso eu. Vós lá sabeis essas cousas... Olha como ella se ri!... Eu bem sei porque tu te ris, minha cachorrinha!... Eu já sei que tu botas sonetos...
—Eu?... que graça!... eu não sou poeta.