—Fóra com a alcoviteira!—exclamou a criada lá do interior—Má mez para ella!... Olha o estafermo que me apparece em jejum!...

—Esta sua criada, minha senhora, é bem pouco caritativa com os desgraçados, e v. s.ª não é melhor que ella, pelo que vejo...

—Está bom!—atalhou irada D. Rosa—Eu não admitto reflexões! Saia, que quero mandar fechar a porta.

—Pois devéras não me quer ouvir?

—Não, já lh'o disse.

—Pois ha de ouvir-me, digo-lh'o eu.

—Se cá tivesse o criado, mandava-a pôr no meio da rua.

—E a senhora para isso precisa d'um criado? Eu sou uma pobre velha sem forças... qualquer sôpro me faz cahir, e a menina mesma póde empurrar-me por esta escada abaixo...

—E esta? já se viu um descaramento assim? Vossê parece-me uma mulher sem vergonha!...

—Pois tenho muita, e principalmente agora. Sabe Deus com quanta vergonha eu vim pedir-lhe uma esmola.