—Mas, se eu lhe dei a esmola, porque se não retira?
—Não me retiro, porque os desgraçados não se satisfazem só com pão... precisam d'outras consolações, que a menina póde dar-me.
—Pois que quer?
—Queria que me deixasse sentar um bocadinho nas suas cadeiras... Estou muito fatigada, falta-me já a força n'estas velhas pernas, que tanto andam, e tão pouco caminham... Tudo me falta... até a vista; nem já a menina me parece o que era aqui ha um anno!... Deve ter feito uma grande mudança a sua vida!... Vejo-a tão coadinha... A menina soffre do corpo, ou da alma?
—Que lhe importa do que eu soffro? Não soffro d'uma nem d'outra cousa...
—Pois louvado seja Nosso Senhor!... Felizes aquelles que assim o podem dizer... Pois veja que differença... Eu soffro de tudo...
—E que culpa tenho eu disso?
—Nenhuma, nem eu a culpo, senhora D. Rosa Guilhermina...
—Faz favor de sahir, que quero recolher-me?
—Está o almoço na mesa—disse a criada.