—Se a menina consentisse que eu tomasse uma chavena de chá comsigo...
—Comigo?... essa é boa!
—Envergonha-se d'isso? Pois olhe que não descia de quem é, porque os pobres foram sempre os amigos, com quem Jesus Christo repartiu o seu pão, e os seus peixes.
—Parece-me esperta de mais para pobre...
—Pois é de obrigação que todos os pobres sejam brutos! Então dá uma chavena de chá... a sua mãe?...
—A...
—A sua mãe!
—A minha mãe!... Quem é minha mãe?
—Falle baixo que a não ouça a sua criada!... Não lhe tinha eu dito que era bem melhor ouvir-me em particular!... Espanta-se de mais, menina? Pois não sabia que tinha mãe? Não soube ha um anno, que ella precisava de recorrer á sua generosidade? Não calculou, que, mais hoje ou mais ámanhã, a sua desamparada mãe devia cobrir esta mantilha esfarrapada para vir receber dez reis da mão de sua criada?
—Eu não a reconheço como minha mãe... Eu já colhi informações de que minha mãe não existia... Meu pae nunca me disse que eu tivesse mãe viva!