—O quê?—perguntou a criada, recuando a mão.

—É uma peça de quatro mil reis, com que vmc.e póde comprar umas arrecadas... Acceite que lh'a dá a pobre mãe de sua ama!... Não quer?... Ora pois, Deus lhe dê muito que dar...

A ama e a criada ficaram perplexas, encarando-se estupidamente, emquanto Anna do Carmo sahia. Quando vieram á janella para vêl-a, ia já na extremidade do bêcco, mas á porta de D. Rosa estavam dous homens, que conversavam apontando para a mulher da mantilha rôta.

—Não a conheceste?—dizia um.

—Eu não, nem tenho pena—respondeu o outro com desprêso.

—Pois não conheces aquella mulher?

—Não... já t'o disse...

—Pois não conheceste a fidalga, que ha tres mezes comprou a quinta dos Engenhos, na ponte de Ramalde!

—É aquella?

—É... dou-te a minha palavra d'honra que fui eu o tabellião que lavrei a escriptura, e contei os doze mil cruzados.