—O quê?... que tens tu sido?...
—Uma desgraçada...
—Tambem eu... que culpa temos nós?!
—Eu?... muita!... Calemo-nos, Rosa... Olha aquelles sinos pezam-me sobre o coração... Tenho mêdo d'aquelles sons... Se meu marido tivesse sido n'esta vida um homem, como eu deveria ter encontrado um, eu pensaria que aquelle dobre era a voz d'elle que me accusava da eternidade... Ai!... tu ignoras a minha vida? Parece impossivel!... Nunca ouviste fallar de mim como se falla d'uma infame mulher?
—Nunca...
—Pois pergunta ao mundo o que eu fui... Não, não perguntes nada... Ignora tudo. O meu coração para ti está puro... Restituo-t'o como t'o roubei, ou tu o lançaste de ti para fóra... Não te importem os meus defeitos... Foi um sonho horrivel! Acordei nos teus braços... quero aqui viver... Deixas-me esquecer aqui do muito que tenho soffrido?...
Rosa Guilhermina recebia com lagrimas as meias confidencias de D. Maria Elisa, quando lhe disseram que seu marido a procurava, por saber que ella estava alli.
A surpreza brutificou-a.
Maria Elisa mandou subir Augusto Leite, e reanimou a sua amiga do lethargo em que a deixou esta apparição tão pouco desejada. Fôra preciso muito para que a pobre senhora aborrecesse seu marido.