—Sinto muito que o sejas a teu pesar... Eramos ambos bem mais felizes, se o não fosses.

—Parece-te? a mim tambem; mas já agora o remedio é seres minha mulher, e eu teu marido...

—Fallas-me d'um modo que me fazes gelar o coração!... Que te fiz eu para me tratares assim?

—Eu sei cá o que me fizeste!... não me fizeste nada... Penso que me tornaste mais desgraçado do que eu era...

—Vejo que sim; mas não era essa a minha intenção.. Eu quiz fazer-te feliz; se o não consegui, é porque não pude, nem tu me disseste o que eu devia fazer para a tua felicidade...

—O que me perdeu foi o teu dinheiro...

—Não tive culpa, Augusto...

—Eu, se fosse sempre pobre, não me illudia com as esperanças do teu patrimonio, e trabalharia, estudaria para chegar a ser homem...

—Que hei de eu fazer-te, Augusto!... Eu nunca te aconselhei que arruinasses o que te dei; se soubesse que o meu dinheiro te fazia infeliz, lançal-o-ia ao mar para me casar pobre comtigo... Mas, se eu fosse pobre, de certo me não quererias...

—Não sei, não me importa saber, todas as conjecturas agora são estupidas...