—Perdôa as minhas conjecturas... Eu d'antes era espirituosa, segundo tu dizias, que eu nunca o acreditei... Agora sou estupida, é porque a desgraça embrutece...

—Nada de ironias... Sabes que estou pobrissimo?

—Não sabia; mas acredito que o estás.

—Pódes avaliar a minha situação?

—Posso; porque eu tambem estou pobrissima.

—Menos que eu...

—Mais que tu... Tenho uma filha que sustento, e cheguei á extrema dôr de querer comprar-lhe um vestido, e tive de vender um meu, para que a minha filha te não envergonhasse... Avalias tu agora a minha situação?

—Diz ao teu tutor que te entregue o que tens, e tu administrarás...

—Já lh'o suppliquei muitas vezes. Não me concede cinco reis além da mesada que me arbitraram... Não posso conseguir nada... Emprega tu os meios, que eu concedo-te tudo; e, se não podéres alcançar mais do que eu, desde já te cedo toda a minha mesada, e eu e minha filha recorreremos á caridade da minha amiga Maria Elisa.

—Não quero caridades de ninguem: quero aquillo que é meu, quando não enterro uma faca no coração do tutor...