—Não crê na amizade?

—Não, minha senhora... Eu tinha uma grande alma, cheia de todos os sentimentos bons; essa alma foi como um raio de luz amortecida no prestito funebre da filha do general... Apagou-se ao pé da sepultura... Não tinha senão essa alma...

—Nem espera resuscitar d'esse lethargo?

—Nunca mais.

—Nem emprega diligencias para isso?

—Nenhumas. Eu sei que o mundo não tem nada para mim...

—Nem o senhor Paulo tem nada que dê ao mundo?

—A compaixão para os desgraçados como eu, um sorriso de escarneo para as felicidades d'um dia, e um adeus invejoso áquelles que morrem... Bem vê que ainda sinto impulsos nobres no coração...

—Deseja a morte?...

—Procuro-a; mas entendo que é debil o poder das paixões nas organisações fortes... Eu lucto, ha dous annos, face a face, com uma dôr, que me não deixa cinco minutos de descanso, e vivo... vivo assim com o aspecto da serenidade, e talvez com o rosado juvenil d'uma saude perfeita... Não se morre de paixão...