Minha paciente amiga, eu sou fastidioso com as minhas choradeiras. Acolha-m'as com amor, que eu não tenho, sequer, em galardão de tantos soffrimentos, o poder de as lançar ao papel de modo que consternem a compaixão da unica pessoa que póde sentir comigo.

Estou pintando. É o meu sonho de ha dias. É Helena, quando me deu uma rosa murcha, e me disse: «Ahi tens o meu amor: a rosa cahirá desfeita em pó; mas a saudade ficará perpetuamente entre os vivos, como o germen d'essa flôr.» Estas palavras repetiu-m'as no sonho. Vi-a tal qual era, n'esse primeiro dia em que os medicos lhe disseram que désse um passeio recreativo á ilha da Madeira. N'esse dia começou ella o seu curto passeio em redor da sepultura!...

Adeus, minha estimavel senhora.

De v. exc.ª

Amigo dedicado,

Paulo.

VII

29 de Outubro

Tem decorrido sete dias, depois que lhe escrevi, minha boa amiga. V. exc.ª não calculava a razão do meu silencio, quando na sua queixosa carta de hontem arguia a minha reserva, ou indolencia.

Eu indolente, senhora! Eu que não tenho cinco minutos de repouso desde o dia á noite! Eu, que conto os longos instantes do escurecer ao dia!