Ha, por ventura, uma intriga? Qual? Por quem? E com que fim?
Não sei, não posso comprehendel-a.
Disse-me ella que nunca me confessou amor! Será isto verdade? Fui eu que me illudi? Então, aquella carta, aquella livre explicação d'um affecto repentino... foi tudo um sonho?! Terei eu mentido a v. exc.ª? A cópia da carta que lhe enviei, foi uma ignobil impostura?...
Como é especialmente horrivel a minha situação! Como eu, d'um lance d'olhos, vejo todos os casos em que um homem póde suicidar-se na sua honra cuspindo na face d'uma mulher!...
Esta situação não póde assim durar... Eu preciso ouvil-a... Ella ha de saber colorir a sua depravação d'outro modo... Eu quero até que ella se defenda, porque vai ahi n'essa defesa a salvação do meu amor proprio... Que dirá?... Que terei eu que responder-lhe?
Minha boa amiga, ha uma conspiração sobrenatural contra mim... Eu receio, hoje mais que nunca, uma demencia. Lamente o seu infeliz amigo
Paulo.
IX
2 de novembro
Tudo está perdido.