«—Quem? Rosa Guilhermina?
«—Sim... Um anno antes de conhecel-a, raras vezes vinha a minha casa. Vivia muito só: dizia-me nas suas frequentes cartas, que vivia namorado da arte, que tinha muitos retratos de Helena, e que roubava á pintura o tempo apenas necessario para visitar-lhe, em S. Francisco, a sepultura.
Relacionado com Rosa, Paulo, sem o pensar, ultrajou-me quanto era possivel!... O ciume devorou-me alguns dias, e eu tive momentos de detestar o infame caracter do infeliz moço... Habituada, porém, a dominar-me, afivelei outra vez a mascara, e recebi-o com a mesma graça em minha casa para ouvir-lhe as expansivas apologias de Rosa Guilhermina.
Tenho remorsos de ter sentido uma cruel alegria, quando essa mulher o despresou...
«—Naturalmente... alguma intriga...
«—Urdida por mim?...
«—O amor, muitas vezes, obriga...
«—A praticar villezas? O amor nobre, não... Eu não urdi intrigas... Rosa despresou-o; porque o seu caracter era o caracter de sua mãe... Anna do Carmo nascera nas palhas, fôra amante d'um padre, fôra adultera mulher d'um livreiro, fôra repellida de casa de sua filha, e recebera-a por fim, nos seus salões, sem vergonha do seu passado, nem resentimento da sua dignidade. Filha de tal mãe, não podia apreciar o amor de Paulo, que amára uma mulher, que morrera por elle.
Ia-me esquecendo o conto... Fui a Roma; cheguei lá vinte dias depois que recebi a carta.
«—Encontrou-o?