«—Sepultado... Morrera seis dias antes... Ao lado da sua cabeceira estava o meu retrato... É aquelle que alli se vê.»

Reparei... Ninguem diria que esta senhora podia ter sido tão bella!

Cahiam-lhe duas a duas as lagrimas... Eu quiz divertil-a d'esta dolorosa situação, perguntando-lhe:

«—Demorou-se em Roma?

«—Tres dias... Voltei a Portugal, depois... Deixe-me chorar, porque ha muitos annos que não fallei a ninguem n'este homem... Quer saber o resto d'esta historia, que faz o seu romance?... Essa senhora de que faz menção no seu prologo, póde contar-lh'a.

«—Com menos graça que v. exc.ª...

«—Pois eu lhe digo: Rosa Guilhermina morreu, ha seis annos em Lisboa, com o titulo de viscondessa de ***. Seu marido ainda vive... É um dos mais ricos proprietarios do paiz...

«—E Maria Elisa?

«—Essa mulher perdeu-se... Foi amante de S*** C***, que deu escandalo no Porto, e perturbou a tranquillidade da sua casa, e da casa das suas amantes, que eram quasi todas casadas. Depois, como elle morresse, Maria Elisa, que vivera na companhia de Rosa, reagiu contra os conselhos de José Bento, e abandonou a amiga para entregar-se a uma vida dissipada sem ao menos a colorir com as variadas tinturas da hypocrisia. Tocou o extremo grau de miseria; mas d'esta miseria prosaica e villã, e que não póde ser historiada n'um romance. Não era fome nem nudez. Era a negação para todos os sentimentos d'honra. Quando desceu tão abaixo recebeu uma boa mesada de Rosa; mas dissipou-a com amantes. Por fim envelheceu. Rosa tinha morrido, e o visconde de ***, que a soccorrera estimulado por sua mulher, abandonou-a inteiramente.

«—E ainda vive?