—Onde está seu marido?—perguntou o padre.
—Não sei... Olhe aqui.
A senhora Anna chamou-o de parte, e contou-lhe o succedido. O arcediago ficou tranzido.
—Que hei de eu fazer, Leonardo? Não me dirás?
—Põe a tua mantilha, pega no pequeno, e vai com a criada para minha casa.
—E os meus arranjos?...
—Que arranjos?
—Os meus vestidos?
—Deixa os vestidos... Faz o que te digo. Não te afflijas... Has de ter sempre que comer. Nem mais uma palavra, que não quero escandalos.
Anna do Carmo sahiu com a criada e o pequeno, que grunhia por ter sido tirado a dormir do berço. O escrivão achou-se sósinho com os aguazis e louvados. A livraria foi logo comprada pelo livreiro da loja visinha. Os moveis arrematados, e ficou o escrivão com elles. As roupas comprou-as uma adeleira. E a chave da casa foi entregue ao senhorio. Foi um dia cheio para os visinhos!