Quando voltou, chorava Elisa, em ar de arrufada amante. Rosa, mais tranquilla, se era possivel uma consciencia boa, depois de tão generosa acção, serenou a susceptibilidade da sua melindrosa amiga com esta revelação:

—Olha, querida amiga, faz comigo as pazes. Eu te digo o que se passa. A carta, que recebi e devolvi pelo portador, era uma súpplica de uma pobre amante de meu pae, que me pedia uma esmola. Fez-me tanta pena, que me vestiu de luto o coração! Como pensei que era aquelle um deshonroso segredo para meu pae, nem dizer-t'o a ti, cara amiga, eu julguei que me era nobre. Ora aqui tens...

—E mandaste-lhe o beneficio supplicado?

—Mandei...

—Fizeste bem... Pobre mulher, abandonada, não devia achar fechadas as portas da alma que sahiu do peito amante. Perdôa a meu resentimento, querida Rosinha...

E com estas e outras finezas passaram uma hora, ao fim da qual voltava o portador, que levára o dinheiro, e entregava á senhora D. Rosa Guilhermina outra carta, acompanhando os quatro cruzados novos. A carta dizia assim:

«Minha filha. A esmola é muito avultada para uma mãe. Quando eu tiver fome, irei pedir-te um bocadinho de pão.»

Rosa fez-se da côr do lacre, e fugiu de ao pé da sua amiga.

[CAPITULO XI]

Anna do Carmo, quando pensava em escrever a sua filha, dizia-lhe o coração que a não procurasse, porque seria recebida com má vontade. Fallava-lhe assim o coração, porque n'aquelle peito não batia o coração de mãe.