Quer fosse o estylo assoprado de Maria Elisa, quer fosse a negação completa do coração de Rosa a essa estranha mulher, que lhe chamava filha, o certo é que os escrupulos e temores desappareceram, e o importuno successo não impressionou muitos dias o espirito da leviana moça, que se demorava pouco nas mesquinharias d'este globo.

O rapido desvanecimento das ideias funebres do caso, deve-se á visita da senhora Angelica que não veio mais cedo por ter estado ás portas da morte com um catarrho, que lhe cahira nos bofes, como ella se explicava subindo as escadas.

—A snr.ª D. Angelica por aqui!—disse Rosa descendo a recebel-a.

—Deixemo-nos de dom. Cada qual é como cada um. Eu cá sou filha de negociante, e não quero essas trapalhadas da fidalguia. Então, como passa a minha menina?

—Muito boa, e a snr.ª Angelica doentinha, não é assim?

—Deus louvado, vou melhor dos bofes, mas, acho que tenho aqui no costado, salvo tal logar, um lobinho, que hei de queimar com a massa.

Elisa tinha o lenço na bôca, para suffocar o riso.

—Então, esta menina é que é a sua amiga?

—Tenho a gloria de merecer tal nome—respondeu Elisa.

—Por muitos annos e bons... Então vmc.e de quem é filha, ainda que eu seja confiada?