—Meus paes ceifou-os a dura fouce da parca.

—A Parca? não conheço essa senhora. Sua mãe chama-se a snr.ª Parca?

—Não, senhora—atalhou Rosa, porque a sua amiga não podia responder, suffocando com uma gargalhada.—A mãe d'esta menina, e tambem o pae, morreram já.

—Ah! sim? pois Deus lhes falle n'alma, e elles a abençoem no céo, que é bem galantinha... Porque não vai ser freira, minha menina?

—As almas livres não querem ferros. Umas nascem para o culto dos templos, outras vêem o altar de Deus na natureza.

—Ella que diz?—perguntou a velha a Rosa.

—Diz que não nasceu para freira.

—Não diga isso, menina, que é peccado. Todos nascemos para o serviço de Deus, e deve ir para carmelita, que é uma ordem muito apertada, e ganha-se o céo, com a pobreza, e a paciencia.

—O céo ganha-se com os vôos do espirito.

—Que é? os avôs do esprito? Não creia n'isso; nas carmelitas não ha espritos ruins... Ri-se? ora queira Deus que não chore ainda... Quem lhe disse que andavam espritos nas carmelitas? Olha as sanctinhas! coitadas!... É cousa que não consta é esprito nas carmelitas...