—Isso creio eu; mas por isso mesmo é que a materia me não convida. O grande espirito é Deus.
—Jesus! que heresia! A menina parece-me douda!...
—Não é, não, snr.ª Angelica... É porque ella falla sempre em alto estylo...
—Estylo!... que é isso de estylo!...
—A sua linguagem é mais sublime que a costumada entre pessoas sem luzes.
—Sem luzes!... Eu não vos entendo, raparigas! Vmc.es aprenderam o latim?
—Não, minha senhora—disse Elisa—a nossa lingua é portugueza, e as nossas phrases tem o toque da superioridade, que nem todos os espiritos alcançam!...
—E ella a dar-lhe com os espritos!... Parecem-me doudas! Quem vos ensinou esse palavriado de latinorios e berliques-berloques que ninguem entende? É isso o que vós aprendeis no recolhimento? Deixai-vos d'essas tolices, e fallai como a outra gente da nossa laia.
—Da nossa?—disse Elisa—Não lisongeia a miscellanea.
—Miscellanea!... quem é a miscellanea? Eu não a entendo!... Ella que diz, Rosa?