—Diz que as pessoas instruidas...
—Pessoas estruidas, Deus nos livre d'ellas... Olha como ella se ri!... Esta rapariga tem aduella de menos, não tem, Rosinha?
—Tem aduella de mais... É uma senhora muito esperta, sabe francez, e faz poesias.
—Eu a arrenego! pois ella é como os homens, que vão alli berrar debaixo das janellas das freiras, a botar versos para cima?
—É verdade... Eu faço versos; a musa favorece-me: o Pégaso vôa comigo á apolinea fonte, e converso com os deuses na Castallia.
—Ella parece lá d'esses reinos estrangeiros!—disse, torcendo o nariz, a snr.ª Angelica.
—Sou lusitana, não nego a patria. Nasci nas margens do patrio Douro.
—Nasceu no Douro? Então isso como foi? Sua mãe teve-a no rio? Vinha, talvez no barco... pobre mulhersinha!... E ella a rir-se!... Ella não está boa!...
—Desaperta-me, Rosa, que eu arrebento—exclamou, suffocada de riso, Elisa.
—Eu não n'o disse? Eu logo vi que ella não estava boa!... Isto é cousa má que se lhe metteu no corpo... Dizem que o demonio ás vezes falla de modo que só o entendem os padres. Quer a menina que eu vá chamar-lhe um fradinho de muita virtude, para lhe lêr os inzorcismos?