—A mim? para cá é que elles vem bem!.. Eu os arrenego! Assim que os vejo ao longe, rezo o credo em cruz...

—E perseguem-na os peralvilhos?

—Hão de ter bom olho...! Elles só perseguem as que lhe dão trela. A mim? isso sim... Inda não ha muito que um mariola me puxou pela mantilha, ao sahir da Capella das Almas, e eu voltei-me para elle... não lhe digo nada... apenas me viu, aquillo foi como se lhe désse com um sedeiro na cara, voltou logo o focinho. Está-se a rir, Rosinha? É como lhe digo. Os homens, em vendo má cara nas mulheres, não tenha medo que elles se atrevam... E mais eu agora já não sou o que era... estou muito acabada... estes malditos lobinhos, que me vem todos os annos ao costado, fazem-me de fel e vinagre. D'antes quando eu era a flor das donzellas, isso é que se podiam vêr os peraltas com o nariz no ar por minha causa... Pois, olhe, viam-me com os olhos e comiam-me com a testa... Uma rapariga quer-se honestinha; e quanto mais vamos inda peor é. Está dito... agora vamos começar o nosso arranjo.

—O nosso arranjo?! Que arranjo temos nós, snr.ª Angelica?

—Nada de pressa... ha muito tempo para morrer... Ora vamos, Rosinha... inda está dos mesmos humores de ha dois annos?

—Que humores? não me lembra quaes eram...

—A respeito do seu matrimonio com o meu Antonio.

—Ah! nem me lembrava essa brincadeira... Sim, minha boa senhora, ainda estou, e estarei, resolvida a não casar com o snr. Antonio.

Maria Elisa, pé ante pé, viera collocar-se atraz de Angelica fazendo-lhe carantonhas, que obrigaram Rosa a sentar-se de ilharga por não poder conter o riso.

—Com que então está na mesma!... Ora, se Deus quizer, a sua cabecinha ha de mudar. Pense bem no caso, Rosinha. Lembre-se que meu irmão não sabe o que tem de seu. Lá, se é velho, olhe que faz dar a agua pela barba aos novos. Não vê aquellas côres, que elle tem? Olhe que alli onde o vê, inda tem muita força. Come-lhe bem, e está gordo como um tanho...