—Bem sei que está gordo; mas que me importa a mim a gordura de seu irmão? Como não quero vendel-o a pêso...
—Isso não é resposta de menina honesta, Rosinha. Não se ponha a rir... Acho que já tem as manhas da sua amiga. Foi ella que lhe disse que não quizesse o meu Antonio? Tomára-o ella.
—Pois offereça-lh'o.
—Que se lave... Olha a labisgoia! Se meu irmão se via com aquella tartamuda, que ninguem a entende, entisicava, meu querido irmão do meu peito! E ella tem legitima?
—Quem, a minha amiga? é muito rica, por morte de duas tias, que são pouco mais ou menos da sua idade, snr.ª Angelica.
—Da minha idade? Então ainda podem viver muito, e tarde virá a legitima...
—Quantos annos tem, snr.ª Angelica?
—Quem, eu? eu lhe digo... Eu sou mais velha que o meu Antonio, que é da idade do Joaquim Antunes, casado com a Theresinha dos Loios, e que se lembra de ouvir dizer a sua mãe que o meu Antonio era da idade do snr. Joaquim, e eu sou da idade da snr.ª Brizida, que dizia minha tia Aniceta que nascera ao mesmo tempo, e se baptisára no mesmo dia com o Thimoteo, que ninguem ha de dizer a idade que tem.
—É o mesmo que acontece a seu respeito, depois da sua conta, snr.ª Angelica.
—Pois é verdade; eu o que tenho é estar acabada; mas meu irmão está gordo e fero como sempre o conheci. Quizesse elle casamentos que lhe não faltavam.