—Diga-lhe algumas palavras animadoras, snr.ª Angelica.
—Venha cá, minha menina; a troco d'isso não se afflija, que tudo se ha de fazer pelo melhor, com o favor de Deus...
—Não me illuda, senhora! Não ponha mel nas bordas da taça, que tem ao fundo o amargo absyntho! A minha paixão é incuravel como a gôta!
—Coitadinha!... por causa da paixão tem gôta! que pena! tão novinha já com gôta.
—Com gôta, sim! eu com gôta na primavera dos meus dias!
—Pois ella costuma atacar mais no inverno...
—Com gôta na aurora da infancia, no crepusculo do amor... Com gôta eu!... por causa de um ingrato Narciso! Miseranda Ecco!
—Então o tal Narciso que lhe fez? O Narciso é algum cirurgião que a não soube tratar, pelos modos... Pois, minha filha, não chore. Eu vou já d'aqui fallar com meu irmão, e veremos como se arranja isto do melhor modo. Ponto é que não esteja cá arrumado para a Rosinha...
—Cruel rival!—disse (á parte) Elisa, com a melhor das caretas imaginaveis.
—Injusta! Eu cedi-t'o, e os deuses sabem que sacrificio fiz cedendo a mão do snr. Antonio!