Menos lagrimosa, ou mais resignada, que é o que sempre se diz, a viuva não fugia da mesa, apenas terminava a refeição. Demorava-se na palestra, silenciosa sim como Luiz, mas respondia com um aceno affirmativo ás attenções, que os brazileiros de torna-viagem lhe davam, nas suas conversas dissaboridas. Luiz fazia-se estranho a ellas, fingindo-se abstracto em scismadoras tristezas de que o compadecido capitão, ou D. Marianna o acordavam com esta ou outra semelhante pergunta:

—Que tem, senhor Luiz da Cunha? Em que pensa!

—No nada, minha senhora.

—Sempre assim! Quando virá um dia de o vêrmos alegre?

—O dia final.

—Que ideia tão triste! Então não espera, com vinte e oito annos, tão novo, encontrar n'esta vida a felicidade?

—Não, minha senhora.

—Não póde ella apparecer-lhe como um acaso?

—A morte.... e essa é certissima.... espero-a com a segurança de quem a vê continuamente diante dos olhos.

—Não falle na morte.... Eu tenho esperanças de o vêr feliz.... Ha de encontrar no Brazil uma menina, muito linda e innocente, que lhe encha o coração d'um novo amor...