—E sou eu venturosa? Sósinha no mundo...
—Quem tem o coração povoado d'anjos nunca está{120} sósinha... Qual será o homem que a não adore? Póde v. ex.ª rejeitar o culto, póde julgar-se só em quanto não encontrar uma alma afinada pela sua; mas, em quanto se é adorada, não se póde julgar sósinha...
—E que valho eu para ser adorada?
—Vale as mais santas esperanças d'um homem com o coração viçoso, ainda rico de todas as illusões, puro ainda de toda a mancha; vale um preço inestimavel; vale uma existencia. Tivesse eu esse coração, com esperanças, com vigor, com pureza.... não me tivessem vasado n'elle torrentes de fel que m'o queimam...
—Sem esperança?
—Nenhuma esperança... tenho-lh'o dito como uma confidencia que se faz a uma irmã...
—E eu não posso crêl-o... Deus não quer que a sua vida acabe tão cêdo... Ha de haver alguem, que lhe faça esquecer essa mulher, indigna de si...
—Onde encontrarei eu outra?
—Onde a encontrará? Talvez no Rio de Janeiro, onde ha tantas... e tão seductoras...
—Oh! que santa prophecia é essa!... V. ex.ª não me conhece... não se conhece...