—Não me conheço!... Que quer dizer?
—Nada, minha senhora.
—Diga... não me deixe dar uma má significação ás suas palavras.
—Pois sim, digo; mas que a não vá eu ferir... promette perdoar-me?
—Pois que me dirá que eu não deva perdoar-lhe?!
—Não se conhece; porque, se alguma mulher podia dar-me a mão, afastando de sobre mim a pedra sepulcral... Já me comprehendeu...
Marianna baixára os olhos, e estremecêra. Subira-lhe ás faces o calor do coração. Sentira em si uma confusão de ideias, uma embriaguez de felicidade e receio, uma tal perturbação que, n'aquelle momento, quizera antes não estar alli, supposto que em parte alguma podésse estar melhor.
Luiz da Cunha, encostando a face á mão direita, pozera a mão de modo que os olhos retorcidos não perdessem um movimento de Marianna.—É o que eu tinha previsto—disse{121} elle a si proprio, sorrindo mentalmente. Passados alguns segundos dramaticamente taciturnos, Luiz, como de um rapto, sahiu do seu extasis, e perguntou com a mais artistica commoção:
—Offendi-a? Lembre-se que prometteu perdoar-me.
—Perdôo-lhe todo o mal que me faz...