Está só. É meia noite, e seu marido não vem. Depois que a deixou no hotel, sahiu, e nem sequer lhe disse que voltava. Ha cinco horas que chora, e sente-se menos opprimida: não sabe ella dizer se deve este bem ás lagrimas, se ás orações. É que orou muito; e, depois, quando levantou da taboa os joelhos, raiou-lhe na sua escuridade uma luz, uma esperança, qualquer cousa divina que não era da terra.
E foi sentar-se, ás escuras, fitando o ceo, com a imaginação mais tranquilla, com as palpitações mais serenas, com a face aljofrada de lagrimas suavissimas. Mas a esperança qual seria? Não sabia ella dizêl-a.
Á uma hora entrou Luiz da Cunha.
—Ainda a pé?!—perguntou elle em tom suave.
—É um prazer contemplar este ceo—disse Marianna no mesmo tom.
—Que lindas noites se gozam em Veneza!
—Muito lindas.
—Gosto de te vêr assim, Marianna.
—Assim!... como?
—Sem as impaciencias terriveis do ciume.