[CAVAR PARA OS OUTROS A SEPULTURA, E PARA SI O INFERNO.]
Luiz da Cunha passeava com Carlota nas margens do lago de Garda, ao pé do pittoresco Mincio. Deliciavam-se em meigos brinquedos, como duas creanças, embebidos um no outro, ao que pareciam, suspirando juntos como a brisa tépida que os arremedava no bulicio da ramagem.
Escurecia, quando divisaram tres vultos. O barqueiro que, a distancia, os tinha já prevenido contra os perigos do local, ao vêr os vultos teimou que entrassem no barco. Luiz, instado por Carlota, olhou com saudade para as deleitosas testemunhas de seus prazeres, e foi, como arrastado, na direcção do barco.
Mas os vultos acceleravam o passo. Carlota e o barqueiro diziam a Luiz que fugisse.
—Fugir a que? São tres, e eu só fujo a trinta.
—Foge Luiz, que eu suspeito...
—Que suspeitas?
—Que algum d'elles é...
—O troca-tintas teu patricio? Deixa-me reconhecêl-o.
Luiz da Cunha esperou-os com as pistolas engatilhadas. Os vultos marchavam para elle tão serenos como se tivessem ouvido o tinnir do gatilho..