—Não. Hoje o meu commercio é menos rendoso, mais pacifico, supposto que mais laborioso.

—Não sei o que são emprezas laboriosas...

—Tenta; póde ser que a fortuna te dê ainda outro abraço; mas as costas d'Africa estão coalhadas de negreiros.

—Que dinheiro dispensas?

—Oito contos de reis. Quatro que te devo, e quatro que te dou, ou te empresto... como quizeres.

—Posso fazer alguma cousa com esse dinheiro?

—Pódes, associando-te a algum negreiro, que farei teu conhecido. Apresento-te ao que tem maiores depositos na praia dos escravos em Guiné......................


N'esse dia foi conduzido ao escriptorio do negreiro, em Buenos-Ayres, o adepto com a sua quota parte de oito contos de reis. Quando tratavam as condições da sociedade, estava presente um mulato bem trajado, com os dedos scintillantes de pedras, e uma grossa cadeia de ouro{148} no pescoço. Ouvira, silencioso, o contracto, e seguira-o até á porta do hotel.

Pouco depois, Luiz da Cunha recebia um bilhete anonymo, que lhe pedia uma entrevista, a sós, atraz da igreja das Mercês, ao escurecer. Recommendava o bilhete um segredo inviolavel.