O temerario foi, sem consultar Proença, e encontrou o homem que vira em casa do negreiro.

—O senhor quer ser rico?—perguntou o mulato.

—Quero.

—Ninguem responde com mais concisão, nem mais depressa. Se quer ser rico, siga outro rumo. A escravatura deu em droga. Metade dos negros morrem no porão: os outros ninguem os quer a cem mil reis fortes por cabeça.

—Pois que rumo devo seguir?

—Primeiro; o senhor é capaz de nunca revelar o que eu lhe disser?

—Sou.

—Não o sendo, a sua existencia valerá menos que um preto asmatico. Segundo: tem coragem?

—Tenho, penso eu.

—Quer entrar comigo n'um commercio que é um pouco menos infame que o da escravatura? Quer ser pirata?