—Que faremos?—perguntou ella ao padre.

—Tenho pensado n'um meio; e não vejo outro.

—Qual? foi Deus que lh'o inspirou?

—Arranjarei quem empreste quatrocentos mil reis, com juros, e o pagamento a prazos, hypothecando esta quinta. Com este dinheiro alcançarei um emprego para Luiz da Cunha, longe de Lisboa.

—Sim, sim, longe de Lisboa.

—Dir-lhe-hei que é o mais que posso fazer-lhe.

—Sem dizer-lhe que eu concorri para isto...

—Farei a sua vontade. É conveniente que elle o ignore.

Dias depois, era despachado João Maria das Neves escrivão do Juizo ordinario do concelho de Ribeira de Pena, na Provincia de Traz-os-Montes.

João Maria das Neves equivalia a Luiz da Cunha e Faro. O requerente nunca subiu as escadas da secretaria. O seu agente foram os quatrocentos mil reis da neta do arcediago.