—Qual morrer! A mulher tem sete fôlegos como os gatos. D'alli foi para o hospital acabar de se tratar, e não ha muito que me disseram que a viram no Bairro Alto; mas mora á porta da rua, para não ter o trabalho de subir e descer as escadas. É no que veio parar a tal matrona das carruagens.
—Sabe em que sitio ella mora?
—Eu, graças a Deus, não ando por essas casas, mas quem me disse que a vira foi aquelle barbeiro que mora acolá! Se tem muito empenho em sabêl-o, isso é facil,
—Faz-me muito favor.
O tendeiro voltou, dizendo que Liberata morava na travessa da Agua da Flôr.
Luiz da Cunha agradeceu cordialmente a indagação, e subiu pela travessa Nova, mais absorvido que nunca na inconsequente trapalhada das cousas humanas.
Ao voltar na esquina da rua da Rosa das partilhas viu uma mulher de chale vermelho, saia branca, lenço atado na cabeça com as pontas em grande laço para as costas, sahindo d'uma taverna abraçada com um marujo.
Pela voz, de certo era ella, cantarolando um landum que outro marujo arpejava na guitarra. Acabando a cantiga, o marujo phylarmonico, fazendo um bordo largo de encontro a Luiz da Cunha, grunhiu:
—Ponha-se á capa, quando não vai a pique, sû paralta!
Luiz da Cunha recuou.