—Sim; quando se dêem motivos fortes para que me esqueça...

—Que motivos?!

—Se lhe derem um marido...

Assucena levou instinctivamente o lenço aos labios, como para esconder o rubor que lhe assomava.

N'este momento, entrou João da Cunha, e surprendeu ainda o escarlate, que destacava na tez trigueira de Assucena. Experimentado, comprehendeu o caso, que não tinha nada de mysterioso senão o facto de se acharem sósinhos seu filho e a filha da viscondessa. João da Cunha sentiu o abalo prophetico d'alguma desgraça. A anciedade não lhe concedia delongas. Como Assucena pediu{38} licença para retirar-se, João da Cunha perguntou ao filho, ainda absorto n'um silencio muito significativo para o pae:

—Como venho encontrar-te sósinho com Assucena?

—Entrei n'esta sala, e encontrei-a a receber-me. Se soubesse que vinha encontral-a sósinha, creia v. ex.ª que eu não subiria.

—Tu comprehendes, Luiz, quanto seria melindroso para a nossa honra um namoro com a filha da pessoa que tão cara nos é, e tanto por ti se tem sacrificado?

—Comprehendo, meu pae. E d'onde é que v. ex.ª deduz que eu namore Assucena?

—Surprendi-a d'um modo que revelava emoções que não são as d'uma singela conversação.