—Porque? Pelo amor de Deus diga-me porque...
—Porque não acho muito proprio de um amante o silencio de quarenta e oito horas, sem lhe dar por escripto, ao menos, certeza de que vive.
—Se elle está prêso!
—Mas os prêsos não estão privados de escrever.
—Estará doente...
—Estará... não aventemos explicações, menina. O tempo nos dirá tudo. Logo que seja dia, eu vou informar-me{73} do que é feito do senhor Luiz da Cunha. Agora vá descançar um bocadinho no quarto de minha irmã. São quatro horas. Tenha esperanças em Deus, que é pae, e em mim que hei de ser para a menina o que seria para uma filha.
Quando foram horas de se abrirem os tribunaes, Bernabé Trigoso colheu informações de Luiz da Cunha. Soube que elle na vespera fôra solto, afiançado pelo conselheiro Costa e Almeida. Nenhumas outras informações, além das que lhe deu o carcereiro de uma visita, á cadêa, de certa senhora ricamente vestida, que viera em sege sua.
Recolhendo a casa, sua irmã disse-lhe que Assucena adormecêra momentos antes, e era peccado acordal-a d'aquelle dormir, que parecia sereno como o de um anjo.
—Creio que a infeliz—disse elle—deve perder a esperança em tal homem. Eu por mim, julguei-a perdida desde que ouvi pronunciar tal nome.
—Pois quem é elle?