[SAUDADES]

Saudades! Sim... talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte
Que bem pensára vê-lo até á morte
Deslumbrar-me de luz o coração!

Esquecer! Para quê?... Ah, como é vão!
Que tudo isso, Amôr, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte
Deve-nos ser sagrado como o pão!

Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar,
Mais doidamente me lembrar de ti!

E quem déra que fosse sempre assim:
Quanto menos quizesse recordar
Mais a saudade andasse presa a mim!

[RUINAS]

Se é sempre outono o rir das primavéras,
Castelos, um a um, deixa-os cair...
Que a vida é um constante derruir
De palácios do Reino das Quiméras!

E deixa sobre as ruinas crescer heras,
Deixa-as beijar as pedras e florir!
Que a vida é um continuo destruir
De palácios do Reino das Quiméras!

Deixa tombar meus rútilos castelos!
Tenho ainda mais sonhos para ergue-los
Mais alto do que as águias pelo ar!

Sonhos que tombam! Derrocada louca!
São como os beijos duma linda bôca!
Sonhos!... Deixa-os tombar... deixa-os tombar...