Hão de poisar-se num fervôr de crente,
Rosas brancas tombando dôcemente.
Sobre o teu rosto, como penas d'aves...

[PRINCEZA DESALENTO]

Minh'alma é a Princesa Desalento,
Como um Poeta lhe chamou, um dia.
É maguada e pálida e sombria,
Como soluços trágicos do vento!

É fragil como o sonho dum momento;
Soturna como préces de agonia,
Vive do riso d'uma bôca fria:
Minh'alma é a Princeza Desalento...

Altas horas da noite ela vagueia...
E ao luar suavissimo, que anceia,
Põe-se a falar de tanta coisa morta!

O luar ouve a minh'alma, ajoelhado,
E vai traçar, fantástico e gelado,
A sombra d'uma cruz á tua porta...

[SOMBRA]

De olheiras rôxas, rôxas, quasi prêtas,
De olhos limpidos, dôces, languescentes,
Lagos em calma, pálidos, dormentes
Onde se debruçassem violetas...

De mãos esguias, finas hastes quietas,
Que o vento não baloiça em noites quentes...
Noturno de Chopin... risos dolentes...
Versos tristes em sonhos de Poetas...

Beijo dôce de aromas perturbantes...
Rosal bendito que dá rosas... Dantes
Esta era Eu e Eu era a Idolatrada!...