Como se fossem pétalas caindo,
Digo as palavras desse nome lindo
Que tu me déste: «Irmã, Sóror Saudade»...

[O NOSSO LIVRO]

A A. G.

Livro do meu amôr, do teu amôr,
Livro do nosso amôr, do nosso peito...
Abre-lhe as folhas devagar, com geito,
Como se fossem pétalas de flôr.

Olha que eu outro já não sei compôr
Mais santamente triste, mais perfeito.
Não esfolhes os lirios com que é feito
Que outros não tenho em meu jardim de dôr!

Livro de mais ninguem! Só meu! Só teu!
Num sorriso tu dizes e digo eu:
Versos só nossos mas que lindos sôis!

Ah, meu Amor! Mas quanta, quanta gente
Dirá, fechando o livro dôcemente:
«Versos só nossos, só de nós os dois!...»

[O QUE TU ÉS]

És Aquela que tudo te entristéce,
Irrita e amargura, tudo humilha;
Aquela a quem a Mágua chamou filha;
A que aos homens e a Deus nada merece.

Aquela que o sol claro entenebrece,
A que nem sabe a estrada que ora trilha,
Que nem um lindo amor de maravilha
Sequér deslumbra, e ilumina e aquéce!