Mar-Morto sem marés nem ondas largas,
A rastejar no chão, como as mendigas,
Todo feito de lágrimas amargas!
És ano que não teve primavera...
Ah! Não seres como as outras raparigas
Ó Princeza Encantada da Quimera!...
[FANATISMO]
Minh'alma, de sonhar-te, anda perdida.
Meus olhos andam cegos de te vêr!
Não és sequer razão do meu viver,
Pois que tu és já toda a minha vida!
Não vejo nada assim enlouquecida...
Passo no mundo, meu Amôr, a lêr
No misterioso livro do teu sêr
A mesma história tantas vezes lida!
«Tudo no mundo é fragil, tudo passa...»
Quando me dizem isto, toda a graça
Duma bôca divina fala em mim!
E, olhos postos em ti, digo de rastros:
«Ah! Podem voar mundos, morrer astros,
Que tu és como Deus: Principio e Fim!...»
[ALEMTEJANO]
Á Buja
Deu agora meio dia; o sol é quente
Beijando a urze triste dos outeiros.
Nas ravinas do monte andam ceifeiros
Na faina, alegres, desde o sol nascente.