Cantam as raparigas brandamente,
Brilham os olhos negros, feiticeiros;
E ha perfis delicados e trigueiros
Entre as altas espigas d'oiro ardente.

A terra prende aos dedos sensuais
A cabeleira loira dos trigais
Sob a benção dulcissima dos ceus.

Ha gritos arrastados de cantigas...
E eu sou uma daquelas raparigas...
E tu passas e dizes: «Salve-os Deus!»

[FUMO]

Longe de ti são ermos os caminhos,
Longe de ti não ha luar nem rosas,
Longe de ti ha noites silenciosas,
Ha dias sem calor, beirais sem ninhos!

Meus olhos são dois velhos pobresinhos
Perdidos pelas noites invernosas...
Abertos, sonham mãos cariciosas,
Tuas mãos dôces, plênas de carinhos!

Os dias são outônos: choram... choram...
Ha crisantemos roxos que descóram...
Ha murmúrios dolentes de segrêdos...

Invoco o nosso sonho! Estendo os braços!
E ele é, ó meu Amôr, pelos espaços,
Fumo leve que foge entre os meus dedos!...

[QUE IMPORTA?...]

Eu era a desdenhosa, a indiferente.
Nunca sentira em mim o coração
Bater em violencias de paixão,
Como bate no peito á outra gente.