Teem dolencias de veludos cáros,
São como sedas pálidas a arder...
Deixa dizer-te os lindos versos raros
Que foram feitos p'ra te endoidecer!

Mas, meu Amôr, eu não t'os digo ainda...
Que a bôca da mulher é sempre linda
Se dentro guarda um verso que não diz!

Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nêsse beijo, Amôr, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!

[FRIÊSA]

Os teus olhos são frios como as espadas,
E claros como os trágicos punhais;
Teem brilhos cortantes de metais
E fulgores de laminas geladas.

Vejo nêles imagens retratadas
De abandonos crueis e desleais,
Fantásticos desejos irreais,
E todo o oiro e o sol das madrugadas!

Mas não te invejo, Amôr, essa indiferença,
Que viver nêste mundo sem amar
É pior que ser cego de nascença!

Tu invejas a dôr que vive em mim!
E quanta vez dirás a soluçar:
«Ah! Quem me déra, Irmã, amar assim!...»

[O MEU MAL]

A meu irmão