Um beijo em cada estrella!… Espera que eu sou louco!
Sonhei devo pagar: perdão anjo dos céos!
Agora tem cuidado; o céo escorrega um pouco:
Boas noites adeus!

XL

SANTA SIMPLICIDADE

Na serena missão de paz que tu cumpriste
Ó suave Jesus, ó doce galileu,
Que santa singeleza e que perfume triste
Do teu casto perfil no mundo rescendeu!

Havia no teu verbo aquella unção divina
Que a velha harpa de Job soltou nas solidões,
E o bello, o puro sol da antiga Palestina
Suave contornou, de luz, tuas feições!

Compunham-te o cortejo uns pobres pescadores
Almas rectas e sãs; marchavas por teu pé,
E sorrias falando aos rudes e aos pastores,
Sentado nos portaes da pobre Nazareth.

Da tua Galiléa os valles percorrias
Levando um bom quinhão d'affecto a cada lar,
E o grande olhar suave e terno das judias
Turbaste muita vez, de certo, sem pensar!

E mais simples na morte, apenas a tua alma
Transpunha as regiões purissimas do sol,
Tu que havias colhido a immorredoura palma
Não tinhas para o corpo as gallas d'um lençol!

Consola-te ó Jesus! Tu deves já ter visto
Que sobre a terra, agora, ao teu nome fieis,
Os que se dizem ser apostolos de Christo
Não precisam trajar os infimos bureis.

Não maceram seus pés! não vão pobres e rotos
Envoltos na estamenha, apedrejados, sós,
Nos desertos viver de mel e gafanhotos,
Convertendo o gentio ao som da sua voz.