Este prazer dos Particulares achou-se ligado á utilidade pública: fez com que os Opulentos folgassem de habitar as suas terras. O oiro, que sustentaria Artifices do luxo, vai alimentar os Cultivadores, e a riqueza torna á sua verdadeira fonte. Acresce a isto, que a cultura se enriqueceo com muitas, e muitas plantas, ou arvores estrangeiras, aggregadas ás producções do nosso terreno, e isto vale certamente o marmore todo que perdêrão nossos Jardins.
Feliz este Poema se desparzir, ainda mais, affeições tão simplices, e puras! Porque, como o Author deste Poema o disse em outra composição,
Quem dos Campos o amor inspira aos Homens,
Tambem, Virtudes, vosso amor lhe inspira.
PROLOGO DO TRADUCTOR.
A Gloriosa reputação do Abbade Delille, como Litterato, e como Poeta, a estima geral, dada ao seu Poema dos Jardins, onde se encontrão todo o atavio, toda a graça, e toda a filosofia, de que he capaz o assumpto, me incitou a versificallo em vulgar, apurando nisso o cabedal que possuo em Poesia, cabedal muito inferior ao apreço, e acolheita, de que estou em divida com os meus Compatriotas. O amor á Gloria, e á Gratidão talvez ainda criem na minha alma hum ardor que a fecunde, tornando-me digno do affecto, com que me honra o Publico; e entretanto lhe apresento esta versão, a mais concisa, a mais fiel, que pude ordenal-la, e em que só usei o circumloquio nos lugares, cuja traducção litteral se não compadecia, a meu ver, com a elegancia, que deve reinar em todas as composições Poeticas.
NB. Na pag. 66 vers. 21 lêa-se Soleil, em vez de Ciel: = na pag. 67 vers. 22 Occaso, onde está Oceano: = na pag. 65 vers. 21 Cobertas d’outro Ceo: = na pag. 83 vers. 31 luzidio, em lugar de luzido: = e na pag. 119 vers. 35 diversos, em lugar de diverssas: = e na pag. 121 vers. 28 milhos, em lugar de trigos.
LES JARDINS,
POÈME,
CHANT PREMIER.