Eu cantava os jardins, vergeis, e bosques,
Eis sólta vezes tres Belona o grito,
Eis dos paternos Lares arrancado,
Vôa o Francez Guerreiro a estranhos mares,
E de Venus, Mavorte as selvas deixa.
Vós, á Paz innocente affeiçoados,
Deoses dos Campos, não temais a guerra,
Quer o grande Luiz não destruir-vos,
Mas ao longe estender o imperio vosso;
Quer que logre tranquillo o que semêa
Hum Povo amigo longamente oppresso.
E vós, Mancebos, que outro Mundo admira,
Se por cima de tumidas voragens,
A York o vosso ardor seguir não posso,
Para quando volteis aperfeiçoa
Jardins a Musa minha. Ordeno ás flores
Que para as frontes vossas vão crescendo.
Aprompto para vós de myrto as croas,
O murmureo das agoas vos preparo,
E gramineo tapiz, e asylo umbroso.
Sentados molemente, ao Lethes dando
Fadigas marciais, direis a gloria
Das nossas forças bélicas, e emtanto
Entre esperanças, e temor suspensos,
Confundiráõ, tremendo, os filhos vossos
Co’ a presença do prigo a imagem delle.
Amador dos jardins, eia, acabemos
De pulir estes placidos abrigos.
Infecundo areal, e secco, e triste,
Nelles o dia reflectindo outr’hora,
Importunava os pés, cansava os olhos.
Tudo era ardente, e nu; mas Inglaterra
Nos ensinou com que arte o chão se veste,
Na relva cuida, pois, que os campos brotão.
O regador na dextra, ou nella a fouce,
Lhes mate as sedes, lhes tosquie as tranças.
As leivas o cylindro pize, aplane;
Sempre, escolhidas bem, bem apertadas,
Bem libertas da erva usurpadora,
Qual macia lanugem finas sejão;
Repare-se-lhe ás vezes a velhice;
Mas, comtudo, aos lugares não remotos
Se reserve este luxo de verdura:
Do resto se componhão ricos pastos,
E sómente os cultivem teus rebanhos.
Terás dest’arte numerosas crias,
Os Campos adubio, os olhos quadros.
Não te envergonhe, pois, (e grite embora
O orgulho) não defendas que em teus parques
Entre a Vacca fecunda, o Boi tardio:
Nem deshonrão teus parques, nem meus versos.
Muito pouco he, porém, crear sómente
Esses tapizes vastos, e viçosos:
Cumpre que saibas escolher-lhe as formas.
Longe a monotonia, ah! longe delles:
Em quadrada feição, feição redonda
Tristemente opprimidos os não quero.
Hum ar de liberdade he seu primeiro,
Gracioso attractivo: ora nos bosques,
Cuja sombra os abraça, elles se escondão
Com visos de mysterio, ora esses mesmos
Bosques venhão buscallos. Esta a forma
Da campestre alcatifa, pura, e simples,
Amas o bello? A Natureza imita,
Que esmalta os prados de opulentas cores:
Dá-te pressa; os jardins te pedem flores.
Flores mimosas, candidas boninas,
Por vós he mais gentil a Natureza.
Nos quadros por modelo a arte vos toma;
De terno coração sois dons singelos,
Que arrisca Amor, e que a Amizade offrece.
Em doirada madeixa, em niveo seio
Requinta-se comvosco a formosura;
Que a Victoria adorneis permitte o Loiro,
Do virgineo pudor tambem sois premio.
O mesmo, o mesmo Altar, onde repousa
A Grandeza de hum Deos, na Primavera
Com vossas oblações se aromatiza,
E a Religião, sorrindo-se, as acolhe;
Mas tendes nos jardins o domicilio.
Do Sol, da Aurora vinde, pois, oh filhas,
Decorar o theatro a nossos campos.
Comtudo, não cuideis que, insano Amante,
Em vez de vos travar, em vez de unir-vos
Em brandos, amorosos ramilhetes,
De canteiro em canteiro, attento espere
De cada nova flor o nascimento,
E lhe espie o matiz, lhe observe as côres.
Sei que em Harlem ha curiosos tristes,
Que em seus jardins co’as flores vão fechar-se,
Que, por ver hum rainunculo, despertão
Antes d’alva, e que adorão, qual prodigio,
Anémona exquisita, ou que, invejando
De hum rival o segredo, a peso de oiro
Comprão de hum cravo as manchas. Deixa aos loucos
Seu maniaco amor: possuão, gozem
Embora quaes ciosos, quaes avaros.
Sem de arte caprichosa as leis seguirdes,
Vós, dos olhos prazer, do campo adorno,
Flores, pintai a superficie á Terra;
Mas a vossa beleza, o mimo vosso
Entre curtos limites não se estreitem.
Em toda a parte esses thesoiros brilhem:
Ora aos tapizes a verdura esmaltem,
Ora de hum lado, e d’outro enfeitem ruas;
Em mesclados festões cercai ramadas,
Agoas orlai em lucidos Meandros,
Ou comvosco estes muros se alcatifem,
Ou, querendo escolher vossos perfumes,
Gyre, indecisa, no açafate a abelha.
Seguindo-vos Rapin nas quadras todas,
Nenhum matiz, ou nome vosso esqueça;
A tão frias, cansadas miudezas
Oppõem-se o Deos do gosto. Mas quem póde
Negar o obsequio, a preferencia á rosa,
Á rosa, de que Venus bosques tece,
Croas a Primavera, Amor seus mimos?
Á flor de Anacreonte, á flor que Horacio
Nos dias festivais engrinaldava?
Mas tão risonho objecto em demasia
Apraz aos meus pinceis, cujo destino
He quadros desenhar mais vigorosos.
Oh vós, de que eu trilhava o chão florido,
Bosquesinhos, adeos, adeos, oh prados.
Attrahe minha attenção o informe aspecto
Dos rochedos sem regra desparzidos.
Foi sua alta rudeza em outros tempos
Banida dos Jardins, onde reinava
A inérte, semsabor monotonia.
Mas depois que o Pintor, leis dando nelles,
Contra acanhado Artifice restaura
Totalmente o seu jus, emfim se atrevem
A apossar-se os jardins destes effeitos.
Por mais graças, porém, que venha dellas,
Se estas rígidas massas magestosas
Não offrece o terreno, então debalde,
Presumpçosa Rival da Natureza,
A Arte em falsas imagens se apurara.
Do cume dos Rochedos verdadeiros,
Da Mãi universal morada inculta,
Ella escarnece de affectadas penhas,
Misero aborto de fadiga inutil.
Aos Campos de Midléton, ás Montanhas
De Dovedale, te acompanho os passos,
A ellas, Whateli, comtigo subo.
Que aprazivel terror me assenhorêa!
Todos esses rochedos, variando
Os cimos colossais, arremessados
Aqui aos Ceos, alli para os abysmos,
Hum por outro amparados, hum sobre outro,
E no ar ousadamente alguns suspensos;
Este em arcada, em torre afeiçoado,
Aquelle pelo pórtico sombrio
Deixando perceber ao longe o Polo;
Além mananciais, aqui regatos
De limpida corrente, alegre, e mansa,
Tudo, ah! tudo no espirito revolve
Os mágicos retiros, que os Poetas
Cantárão, fabulando. Oh quão ditoso
Serás se teus jardins afformosêas
Com estas grandes, alterosas vistas!
Mas para que a teu quadro bem se ajustem,
Contra a tôsca energia dos rochedos
Cumpre de encantador ter a eficacia.
O encantador he a arte, o encanto os bosques;
Ella falla, os rochedos eis se assombrão,
E como que os enfuna a pompa estranha.
Porém, sua aridez austera ornando,
Sagaz diversifica os teus plantios.
Ao cobiçoso espectador offrece
Das formas, e das côres os contrastes;
Saião por entre as arvores a espaços
Os mais bellos rochedos: interrompe
Summa igualdade, esconde, ou patentêa!
Variem-se co’as arvores as róchas,
As arvores co’as róchas se variem.
Não tens tambem, para formar-lhe a gala
Não tens do baixo arbusto a folha errante?
Gósto de ver os dóceis novedios
Pelos áridos flancos dos penedos
Em tenrinhos festões ir serpeando;
Gósto de ver-lhes a escalvada fronte
Toucar-se de verdura, e ganhar sombras.
Isto inda he pouco. Hum valle entre estas penhas,
Hum valle precioso, hum chão mais grato
Ri-se a teus olhos? Aproveita-o, mostra,
Expoem esta riqueza inesperada.
He feliz, singular este contraste,
He a esterilidade, ella, que hum breve
Espaço apetecivel de terreno
Cede á fertilidade: assim subjugas
O aspérrimo caracter dos rochedos.
Para agradar-te he força ornallos sempre?
Não; se a arte deve o horror sempre adoçar-lhes,
Consente ás vezes que o pavor inspirem,
Favorece-os até. Na extremidade
De hum precipicio huma cabana eleva,
E com ella augmentado elle parece:
Ponte audaz de hum rochedo a outro lança;
Eu tremo ao vêllos, e a medonho abysmo
Imminente me põem a fantasia.
Lembrão-me esses boatos populares,
Os casos de perdidos Passageiros,
D’Amantes despenhados: contos velhos
Que, prendendo attenção maravilhada,
Á credula Aldeã serões encurtão;
E o terror do lugar ajuda a crença.
Porém com sobriedade usar se deve
Destes grandes effeitos. A tão duras,
Tão agras commoções, abalos doces,
Molle socego o coração prefere:
Eu exprimento em mim que das montanhas
Me he preciso baixar aos ledos valles.
Tenho-os de flores, de arvores coberto:
Tempo he que á sombra dellas manem agoas.
Bem: já que os cimos vossos, nus outr’hora,
Pelas minhas lições estão vestidos
Tão ricamente, oh róchas, franqueai-me
As subterraneas, íntimas origens:
Rios, arroyos, vós, vós, lagos, fontes,
Vinde, espraiai frescura, e vida em tudo.
Ah! Que prazer substituir-vos póde?
Vosso contente, luzidio aspecto
Se de perto entretem, convida ao longe.
Sois o primeiro objecto que se busca,
O ultimo que se deixa. As agoas vossas
Fertilizando a Terra, o Ceo duplicão.
Os ouvidos encanta, encanta os olhos
Vosso cristal, vosso murmùreo. Ah! vinde;
Dado seja a meus versos, que vos seguem,
Correr do coração mais tentadores,
Mais abundantes que o principio vosso;
Mais leves do que os Zéfyros, que dobrão
Vossos canaviais; e brandos, puros
Como esse rumorzinho, essa corrente.
Tu, senhor destas agoas bemfeitoras,
Venera-lhe o pendor, té o capricho;
Nos livres gyros seus vê como abração
Facilmente das margens os contórnos.
E ousas, encarcerando-lhe a brandura,
Os tortuosos passos constranger-lhe!
De que lhe serve o marmore em que he preza?
Não vês co’a longa trança entregue aos ventos,
Sem arte alguma, sem postiço adorno,
Campestre, prazenteira, ingénua Moça
Andar, correr, saltar! A graça della
Está no solto, natural meneio.
Contempla n’um Serralho a Formosura.
Ella deslumbra em vão, debalde ostenta
A pompa oriental, brilho estudado:
Hum triste não sei que, na face impresso,
Lhe argue a sujeição, desbota as graças.
A agoa mantenha a liberdade que ama,
Ou muda-lhe em belleza o cativeiro.
Assim, contra Morel, cuja eloquente,
E ponderosa vóz pleitear soube
Os direitos da simples Natureza,
Gósto das agoas, que em canaes opressas,
Com rápida violencia partem, saltão.
Ao ver esses cristais, que arte atrevida
Da Terra faz brotar, e aos ares lança,
O Homem diz: «eu criei estes portentos:»
E em tais prestigios a arte sua admira.
Nos custosos jardins dos Reis, dos Grandes
Reluzão, pois; mas, outra vez o digo,
Longe os luxos plebêos, o vergonhoso,
Mesquinho jácto de agoa, que da Terra
Mal ousando arredar-se, apenas sóbe,
E em minima distancia morre logo.
Tudo a tanta riqueza corresponda;
Tudo grangêe á roda hum ar de encanto.
Os olhos persuade, e o pensamento
De que vara eficaz em mão de Fada
Formára para a Dona este retiro.
Tàl eu vi de Saint Cloud o amavel bosque.
Póde a vista medir do jacto a altura?
Como que aplaudem tanques, grutas, plantas
As agoas, que sobre agoas cahem, fervem;
O ar he mais fresco alli, mais verde a relva,
Das aves o gorgeio alli se aviva
Ao som das vitreas ondas, que baquêão;
E, as rociadas testas inclinando,
Como que ao doce orvalho os bosques se abrem.
Não menos bella, mais campestre, e simples
A cascata ornará lugar mais tosco.
De longe se ouve, admira-se de perto
Lympha sempre a cahir, sempre suspensa;
E vária, e magestosa, anima a hum tempo
Os rochedos, a terra, agoas, e bosques.
Emprega, pois, esta arte; porém longe
Esses tristes degráos, onde, cahindo
Com movimento igual, medida certa,
As ondas, bem que vão precipitadas,
Até no seu furor seus passos contão.
Só tem jus de aprazer a variedade.
Goza mais de hum caracter a cascata.
Ora em tumulto as agoas despenhadas
No tortuoso leito, correm, cahem,
Saltão, recahem, e escumão, e esbravêão,
Ora de espaço desdobrando as ondas,
Puro, calado, remansinho ameno
Em azul véo se esparge. Os olhos folgão
De ver estes gentis Anfiteatros,
De ver sobre as ceruleas espadanas
Reflectir, scintilar o oiro diurno;
Tambem lhe apraz a escuridão das penhas,
E a verdura das canas, e a espumosa
Argentea côr das agoas fugidias.
Consulta, pois, Artifice, os effeitos
Que intentas produzir. As lymphas, promptas
Sempre a deixar guiar-se, hão de offrecer-te,
Quer mais impetuosas, quer mais lentas,
Quadros benignos, ou soberbos quadros,
Graves, ou deleitosos: quadros, n’alma
Sempre efficazes. Que mortal não próva
A profunda impressão que vem das ondas?
Sempre, ou viva corrente arrebatada
Sobre seixos murmure, e ferva, e salte,
Ou ribeira indolente sobre o lodo
Em paz alargue as agoas preguiçosas,
Ou torrente feróz entre penedos
Quebre com rijo estrondo, alegre, triste
A sua correnteza excita, applaca,
Ameaça, ou amima. Escuto á fama
Que de Vénus o cinto milagroso
Amores, e desejos incluia,
E o prazer, e a esperança, precursôra
De inefaveis delicias. O teu cinto
He, divina Cybele, he agoa: nella,
Não menos poderosa, estão complexos
Terror, perturbação, tristeza, e riso.
Quem melhor o sentio do que a minha alma?
Quem o soube melhor? Mil, e mil vezes
Quando azedos, escuros pezadumes,
Inda mais pela noite enegrecidos,
Vinhão martyrizar-me o pensamento,
Se ouvia os passos de visinho arroyo,
Demandava estes sons consoladores.
Das agoas a frescura, a vóz das agoas
Cuidados, afflicções me adormecião,
E a paz do coração resuscitava:
Tanto d’agoa o murmureo n’alma influe!
Em paga de tão gratos beneficios,
Sofre, oh ribeiro, que a arte, sem, comtudo,
Muito se assoberbar, te aformosêe,
Se he que aformosear-te acaso póde.
Não quadra a vasto plano hum rio escasso:
Seu leito incerta linha alli traçára.
A timida corrente á luz se furta,
E quer banhar hum bosquezinho escuso.
Sua doce carreira adorna as selvas,
Só ellas o namorão. Seus caprichos
Lá com todo o vagar seguir-se pódem,
Seus gyros, seu pendor, seu lindo estorvo,
A cólera, o fervor das bellas ondas,
Tornadas pelo obstáculo mais bellas.
Ora num álveo concavo, e sombrio
Co’a ramada que o cobre, elle recata
O cabedal agreste, ora presenta
Em patente canal o espelho á vista:
Sem vello o escuto, ou sem ouvillo o vejo.
Alli meigos cristais abração Ilhas,
Além se torna em dois o leve arroyo,
Em dois, que nas carreiras competindo,
Apóstão rapidez, e claridade;
E ambos depois no leito, que os ajunta
De andarem par a par murmurão ledos.
Errando sempre assim, de volta em volta,
Mudo, loquaz, pacifico, agitado,
Em mil varios aspectos se renova.
Mas copiosa ribeira ás frescas margens
Me está chamando. Em campo mais aberto,
Nobre, e pomposo quadro, as ondas suas
Ondas menos modestas, vão rolando,
E co’ fulgor diurno ao longe brilhão.
Deixa ao regato seu prazer lascivo,
A sua agitação, e os seus rodeios;
E segue caudalosa a curvidade,
O circuito dos valles sinuosos.
Se dos bosques o arroyo adorno colhe,
Ama o rio tambem diversas plantas.
Quer que lhe ornem, lhe assombrem a corrente,
Os descorados chôpos, e os salgueiros
Meios verdes. Que origem tão fecunda
De scenas, de accidentes! Alli gósto
De olhar-lhe derrubadas sobre o rio
As ramas, e tremer ao movimento
Das agoas, e dos ares; aqui foge
Por baixo das abobadas virentes
A onda escurecida; além penetra
Por entre folha, e folha hum tenue lume,
Ora as grenhas se embebem na corrente,
Ora a impede a raiz; e desmandando
De huma para outra margem a verdura,
Como que avanção, que outro sitio querem.
Assim as ondas, e arvores se ajudão,
A agoa remoça a planta, a planta a enfeita;
E ambas fazem, ligando-se em mil fórmas,
Amavel cambio de frescura, e sombra.
Unillas sabe, pois, ou se em lugares
Formosos, proprios della, a Natureza
Já celebrou sem ti este consorcio,
Respeita-a. Desgraçado o que presume
Excedella no engenho! He tal (e á mente
O coração mo traz) tal he o asylo,
Querido Watelet, onde, amansando,
Em sombrios canais se parte o Sena,
O Sena encantador, tão puro, e livre
Como a tua moral, como os teus dias,
E visita em segredo o lar de hum Sabio.
Com arte lhe acudiste, não com arte
Temeraria, fallaz, profanadora
Desses lugares que supõe que adorna.
Viste, amaste, sentiste a Natureza,
Digno de a ver, de amalla, e de sentilla;
Tu a trataste como intacta Virgem,
Que da nudez se corre, e teme o ornato.
Parece-me, que vejo o falso gosto
Estragar esses campos feiticeiros:
«Este moinho, cujo som ruidoso
Nutre a meditação, he importuno:»
Dalli o arrancão subito. Estas margens
Torneadas assim tão brandamente,
E pelo proprio Sena afeiçoadas,
Duramente se alinhão. A verdura,
Que no seu molle cinto o rio encerra,
Alli já não florece. Agoas queixosas
Seus lageados cárceres accusão.
O marmore fastoso a relva ultraja,
E tosqueadas arvores cativas
Os idosos salgueiros desapossão
Da margem linda, e cara. Ah! suspendei-vos:
Barbaros; acatai esses lugares;
E vós, oh rio, oh bosques deleitosos,
Se a vossa formosura hei retratado,
Se, adolescente ainda, alegres versos
Ás agoas, prados, sombras já tecia,
Ministrai longamente, oh rio, oh bosques,
Ao vosso possessor a doce imagem
Da paz sagrada que em sua alma reina.
Quanto na molle agilidade o rio
De margem angular teme a aspereza,
Tanto as margens agudas ornamento
São de estendidos lagos, e o mais bello.
Ora se avance a Terra ao seio undoso,
Ora abra ás ondas domicilio fundo.
Com revezado amor assim se chamem,
Se busquem mutuamente Agoas, e Terra:
Nestes varios aspectos folga a vista.
A comprida extensão n’um lago se ama;
Da-lhe sitios, comtudo, em que repouse.
Não se lhe interrompendo a immensidade,
Meus olhos sem prazer, sem interesse
Vão pela superficie escorregando.
Para lhe abreviar o espaço insulso,
Edificio, das calmas venerado,
Nas ondas repetido, assome ao longe,
Ou Ilha que verdeje entre ellas surja:
As Ilhas são das agoas summo adorno.
Ou levanta-lhe as margens, ou viçosas
Arvores, em festões dispersos, ganhem
Tua contemplação, teus olhos prendão.
Se queres produzir opposto effeito,
Se o lago estender queres, manda ás margens
Mui subidas, que desção, e ou distancia
Mais arredada os arvoredos tenhão,
Ou faze com que as agoas vão sumir-se
N’um denso bosquezinho, e que tornêem
Ao pé de huma colina. O pensamento
Por entre estas cortinas de verdura,
Onde desaparecem, vai seguindo
As agoas, e as prolonga. Assim teus olhos
Gozão do que não vem; dest’arte o Gosto
Lindezas, perfeições confere a tudo;
E de objectos que inventa, e dos que imita
Descobre, alonga, aperta, esconde o termo.
Agora que a Arte o meu trabalho insulta
Em soberbos jardins, nos meus, ditosos,
Liberdade, e prazer tudo respira:
Rindo-se a relva, a seu sabor viceja,
Independente o bosque, altèa a rama;
Não temem a tisoira os arvoredos,
Nem flores a esquadria; amão as ondas
As margens suas, seu adorno a Terra;
Tudo he formoso alli, simples, e grande,
Tudo: esta arte he a tua, oh Natureza.
Porém o lago, o rio estão desertos,
De Cidadãos se lhe povôe o seio.
Dem-se-lhe as aves, que com agil remo
Alados navegantes, a agoa fendem.
Nella se pavonêa, e nada o Cysne,
De vanglorioso cóllo, argêntea pluma,
O Cysne, a que a Ficção deo vóz tão doce,
E que escusa das Fabulas o auxilio.
Tambem não tens para animar as agoas,
Oh Arte, esse apparato vacilante
Dos mastros, e das vélas? Impelida
De remo compassado, a leve barca
Deixa apenas, fugindo, hum tenue rasto,
Que logo se esvaece. Entumecido
Dos Favonios azuis, sussurra o pano,
E em cada bandeirinha os ares brincão.
Pois se a Novela, a Fabula, ou a Historia
Huma fonte, hum ribeiro consagrárão,
Da sua gloria antiga elles ufanos,
Assás se aformosêão, se atavião
Com suaves memorias. Ah! Quem póde,
Descobrir, encontrar, sem commover-se,
Arethusa, o Lignon, Alfêo? Quem póde
Sem cordial saudade olhar Vauclusa?
Vauclusa, encantamento irresistivel
Dos Vates, e inda mais dos Amadores,
No circulo de Montes, que, encurvando
Sua cadeia, com liquor sadio
Te alenta a subterranea, doce origem,
Lá debaixo da abobada nativa,
Do antro mysterioso, onde, esquivada
A Nynfa tua aos olhos cubiçosos,
Sóme em fundo insondavel teu principio,
Oh quanto me foi grato o ver-te as agoas,
Que, sempre crystalinas, sempre bellas,
Ora n’um lago seus thesoiros fechão,
Ora sobem, fervendo, e lanção fóra
Ondas, a branquejar por entre as penhas;
De cascata em cascata ao longe pulão,
Cahem, e rólão com impeto estrondoso;
A cólera depois amaciando,
Por leito mais igual vão docemente;
E debaixo de Ceos sempre azulados
Por cem canais fecundão valle ameno,
Ameno qual nenhum que os Sóes aclárão!
Mas estes puros Ceos, estas correntes,
Este delicioso, e pingue valle,
Menos o coração me penhoravão
Do que Petrarca, e Laura. Eis (eu dizia,
Eu dizia a mim mesmo) ah! Eis as margens
Que a lyra de Petrarca suspirosa
Outr’hora enfeitiçou! Aqui o Amante
Via, exprimindo a Laura os seus amores,
Vir devagar o dia, ir-se depressa.
Inda sobre estas róchas solitarias,
Inda, acaso, acharei das cifras de ambos
Unidos, maviosos caractéres?
Tocão meus olhos desviada Gruta:
Ah! dize-me se os vistes venturosos,
Guarida opáca? (eu pronuncio) Hum tronco
Toldava encanecido á fonte á margem?
Laura dormido havia á sombra delle.
Alli por Laura perguntava aos Ecos,
E os Ecos o seu nome inda sabião.
Buscaveis, olhos meus, Petrarca, e Laura
Em toda a parte, e em toda a parte os vieis.
Erão já morte, e cinza os dois Amantes,
Mas inda com seus Manes amorosos
Mais bello se tornava o sitio bello.

FIM DO CANTO TERCEIRO.

LES JARDINS,
POÈME,


CHANT QUATRIEME.


Non, je ne puis quitter le spectacle des champs.
Eh qui dédaigneroit ce sujet de mes chants?
Il inspiroit Virgile, il séduisoit Homère.
Homère, qui d’Achille a chanté la colère,
Qui nous peint la terreur attelant ses coursiers,
Le vol sifflant des dards, le choc des boucliers,
Le trident de Neptune ebranlant les murailles,
Se plait á rappeller au milieu des batailles
Les bois, les prés, les champs; et de ces frais tableaux
Les riantes couleurs délassent ses pinceaux.
Et, lorsque pour Achille il prépare des armes,
S’il y grave d’abord les siéges, les alarmes,
Le vainqueur tout poudreux, le vaincu tout sanglant,
Sa main trace bientôt d’un burin consolant
La vigne, les troupeaux, les bois, les pâturages.
Le héros se revêt de ces douces images,
Part, et porte à travers les affreux bataillons
L’innocente vendange, et les riches moissons.
Chantre divin, je laisse à tes muses altières
Le soin de diriger ces phalanges guerrières;
Diriger les jardins est mon paisible emploi.
Déjá le sol docile a reconnu ma loi;
Des gazons l’ont couvert, et de sa main vermeille
Flore sur leur tapis a versé sa corbeille.
Des bois ont couronné les rochers, et les eaux.
Maintenant, pour jouir de ces brillans tableaux,
Dans ces champs découverts, sous ces obscures voûtes
D’agréables sentiers vont me frayer des routes.
Des scènes á ma voix naitront de toutes parts;
Pour les orner enfin j’y conduirai les arts,
Et le ciseau divin, la noble architecture
Vont de ces lieux charmans achever la parure.
Les sentiers, de nos pas guides ingénieux,
Doivent, en les montrant, nous embellir ces lieux.
Dans vos jardins naissans je défends qu’on les trace.
Dans vos plants achevés l’œil choisit mieux leur place,
Vers les plus beaux aspects sachez les diriger.
Voyez, lorsque vous-même aux yeux de l’étranger
Vous montrez vos travaux, votre art avec adresse
Va chercher ce qui plait, évite ce qui blesse,
Lui découvre en passant des sites enchantés,
Lui réserve au retour de nouvelles beautés,
De surprise en surprise, et l’amuse, et l’entraine,
D’une scène qui nait fait naitre une autre scène,
Et toujours remplissant ou piquant son desir,
Souvent, pour l’augmenter, diffère son plaisir.
Eh bien! que vos sentiers vous imitent vous-même.
Dans leurs formes encor fuyez tout vain systême,
Enfant du mauvais goût, par la mode adopté.
La mode règne aux champs, ainsi qu’-á la cité.
Quand de leur symmétrique, et pompeuse ordonnance
Les jardins d’Italie eurent charmé la France,
Tout de cet art brillant fut prompt á s’éblouir:
Pas un arbre au cordeau n’osa désobéir;
Tout s’aligna. Par-tout, en deux rangs étalées,
S’allongèrent sans fin d’éternelles allées.
Autre temps, autre goût. Enfin le parc Anglais
D’une beauté plus libre avertit le François.
Dès-lors on ne vit plus que lignes ondoyantes,
Que sentiers tortueux, que routes tournoyantes.
Lassé d’errer, en vain le terme est devant moi;
Il faut encor errer, serpenter malgré soi,
Et, maudissant vingt fois votre importune adresse,
Suivre sans cesse un but qui recule sans cesse.
Evitez ces excès; tout excès dure peu.
De ces sentiers divers chaque genre a son lieu.
L’un conduit aux aspects dont la grandeur frappante
De loin fixe mes yeux, et nourrit mon attente.
L’autre m’égarera dans ces réduits secrets
Qu’un art mystérieux semble voiler exprés.
Mais rendez naturel ce Dédale factice.
Qu’il ait l’air du besoin, et non pas du caprice.
Que divers accidens rencontrés dans son cours.
Les bois, les eaux, le sol commandent ces detours.
Dans leur forme j’exige une heureuse souplesse.
Des longs alignemens si je hais la tristesse,
Je hais bien plus encor le cours embarrassé
D’un sentier qui, pareil á ce serpent blessé,
En replis convulsifs sans cesse s’entrelace.
De détours redoublés m’inquiète, me lasse,
Et, sans variété, brusque, et capricieux,
Tourmente, et le terrein, et mes pas, et mes yeux.
Il est des plis heureux, des courbes naturelles
Dont les champs quelquefois vous offrent des modèles.
La route de ces chars, la trace des troupeaux,
Qui d’un pas négligent regagnent les hameaux,
La bergère indolente, et qui dans les prairies
Semble suivre au hasard ses tendres rêveries;
Vous enseignent ces plis mollement onduleux.
Loin donc de vos sentiers ces contours anguleux.
Sur-tout, quand vers le but un long détour vous méne:
Songez que le plaisir doit racheter la peine.
Des poétes fameux osez imiter l’art.
Si leur muse en marchant se permet quelque écart,
Ce détour me rit plus que le chemin lui-même.
C’est Nisus défendant Euryale qu’il aime,
C’est au tombeau d’Hector son Andromaque en pleurs.
Qu’ainsi votre art m’êgare en de douces erreurs.
Des plus rians objets égayez le passage,
Et qu’au terme arrivés, votre art nous dédommage
Par d’aimables aspects, de riches ornemens,
De ce vivant poéme épisodes charmans.
Ici, vous m’offrirez des antres verds, et sombres,
Qu’habitent la fraicheur, le silence, et les ombres.
L’imagination y devance les yeux.
Plus loin, c’est un beau lac, qui réfléchit les cieux.
Tantôt, dans le lointain, confuse, et fugitive,
Se déploie une immense, et noble perspective.
Quelquefois un bosquet riant, mais recueilli,
Par la nature, et vous richement embelli,
Plein d’ombres, et de fleurs, et d’un luxe champêtre,
Semble dire: «Arrêtez; où pouvez-vous mieux être»?
Soudain la scéne change: au lieu de la gaieté,
C’est la mélancolie, et la tranquillité;
C’est le calme imposant des lieux où sont nourries
La méditation, les longues rêveries.
Lá, l’homme avec son cœur revient s’entretenir,
Médite le présent, plonge dans l’avenir,
Songe aux biens, songe aux maux épars dans sa carriére;
Quelquefois, rejettant ses regards en arriére,
Se plait á distinguer dans le cercle des jours
Ce peu d’instans, hélas! et si chers, et si courts,
Ces fleurs dans un désert, ces tems où le raméne
Le regret du bonheur, et même de la peine.
Craignez donc d’imiter ces froids décorateurs
Qui ne veulent jamais que des objets flatteurs.
Jamais rien de hardi dans leurs froids paysages:
Par-tout de frais berceaux, et d’elégans bocages,
Toujours des fleurs, toujours des festons; c’est toujours
Ou le temple de Flore, ou celui des Amours.
Leur gaieté monotone à la fin m’importune.
Mais vous, osez sortir de la route commune.
Inventez, hasardez des contrastes heureux;
Des effets opposés peuvent s’aider entr’eux.
Imitez le Poussin. Aux fêtes bocagères,
Il nous peint des bergers, et de jeunes bergères,
Les bras entrelacés dansant sous des ormeaux,
Et près d’eux une tombe où sont écrits ces mots:
Et moi, je fus aussi pasteur dans l’Arcadie.
Ce tableau des plaisirs, du néant de la vie,
Semble dire: «Mortels, hâtez-vous de jouir;
Jeux, danses, et bergers, tout va s’évanouir.»
Et dans l’ame attendrie, á la vive alégresse
Succéde par dégrés une douce tristesse.
Imitez ces effets. Dans de rians tableaux
Ne craignez point d’offrir des urnes, des tombeaux,
D’offrir de vos douleurs le monument fidèle.
Eh! qui n’a pas pleuré quelque perte cruelle?
Loin du monde léger venez donc á vos pleurs,
Venez associer les bois, les eaux, les fleurs.
Tout devient un ami pour les ames sensibles:
Déjá, pour l’embrasser de leurs ombres paisibles,
Se penchent sur la tombe, objet de vos regrets,
L’if, le sombre sapin; et toi, triste cyprés,
Fidéle ami des morts, protecteur de leur cendre.
Ta tige, chére au cœur mélancolique, et tendre,
Laisse la joie au myrte, et la gloire au laurier;
Tu n’es point l’arbre heureux de l’amant, du guerrier,
Je le sais; mais ton deuil compâtit á nos peines.
Dans tous ces monumens point de recherches vaines:
Pouvez-vous allier dans ces objets touchans
L’art avec la douleur, le luxe avec les champs?
Sur-tout ne feignez rien. Loin ce cercueil factice,
Ces urnes sans douleur, que plaça le caprice.
Loin ces vains monumens d’un chien ou d’un oiseau:
C’est profaner le deuil, insulter au tombeau.
Ah! si d’aucun ami vous n’honorez la cendre,
Voyez sous ces vieux ifs la tombe où vont se rendre
Ceux qui, courbés pour vous sur des sillons ingrats,
Au sein de la misére espérent le trépas.
Rougiriez-vous d’orner leurs humbles sépultures?
Vous n’y pouvez graver d’illustres aventures,
Sans doute. Depuis l’aube, oú le coq matinal
Des rustiques travaux leur donne le signal,
Jusques á la veillée, ou leur jeune famille
Environne avec eux le sarment qui pétille,
Dans les mèmes travaux roulent en paix leurs jours.
Des guerres, des traités n’en marquent point le cours.
Naitre, souffrir, mourir, c’est toute leur histoire.
Mais leur cœur n’est point sourd au bruit de leur mémoire.
Quel homme vers la vie, au moment du départ,
Ne se tourne, et ne jette un triste, et long regard,
A l’espoir d’un regret ne sent pas quelque charme,
Et des yeux d’un ami n’attend pas une larme?
Pour consoler leur vie honorez donc leur mort.
Celui qui, de son rang faisant rougir le sort,
Servit son Dieu, son Roi, son pays, sa famille,
Qui grava la pudeur sur le front de sa fille,
D’une pierre moins brute honorez son tombeau;
Tracez y ses vertus, et les pleurs du hameau;
Qu’on y lise: Ci git le bon fils, le bon père,
Le bon époux. Souvent un charme involontaire
Vers ces enclos sacrés appellera vos yeux.
Et toi qui vins chanter sous ces arbres pieux,
Avant de les quitter, Muse, que ta guirlande
Demeure á leurs rameaux suspendue en offrande.
Que d’autres dans leurs vers célébrent la beauté;
Que leur Muse, toujours ivre de volupté,
Ne se montre jamais qu’un myrte sur la tête,
Qu’avec ses chants de joie, et ses habits de fête;
Toi, tu dis au tombeau des chants consolateurs,
Et ta main la premiére y jetta quelques fleurs.
Revenons, il est temps, sous de plus gais ombrages.
L’architecture encore au fond de ces bocages
M’attend, pour les orner d’édifices charmans.
Ce ne sont plus du deuil les tristes monumens;
Ce sont d’heureux réduits, qui parmi la verdure
Offrent sous mille aspects leur riante parure.
Mais j’en permets l’usage, et j’en proscris l’abus.
Bannissez des jardins tout cet amas confus
D’edifices divers, prodigués par la mode,
Obélisque, rotonde, et kiosk, et pagode,
Ces bâtimens Romains, Grecs, Arabes, Chinois,
Chaos d’architecture, et sans but, et sans choix,
Dont la profusion stérilement féconde
Enferme en un jardin les quatre parts du monde.
N’y cherchez pas non plus un oisif ornement,
Et sous l’utilité déguisez l’agrément.
La ferme, le trésor, le plaisir de son maitre,
Réclamera d’abord sa parure champêtre.
Que l’orgueilleux château ne la dédaigne pas;
Il lui doit sa richesse; et ses simples appas
L’emportent sur son luxe, autant que l’art d’Armide
Céde au souris naif d’une vierge timide.
La ferme! A ce seul nom les moissons, les vergers,
Le régne pastoral, les doux soins des bergers,
Ces biens de l’âge d’or, dont l’image chérie
Plut tant á mon enfance, âge d’or de la vie,
Réveillent dans mon cœur mille regrets touchans.
Venez; de vos oiseaux j’entends déja les chants;
J’entends rouler les chars qui trainent l’abondance,
Et le bruit des fléaux qui tombent en cadence.
Ornez donc ce séjour. Mais, absurde á grands frais,
N’allez paz ériger une ferme en palais.
Elégante á la fois, et simple dans son style,
La ferme est aux jardins cequ’aux vers est l’Idylle.
Ah! par les dieux des champs, que le luxe effronté
De ce modeste lieu soit toujours rejetté.
N’allez pas déguiser vos pressoirs, et vos granges.
Je veux voir l’appareil des moissons, des vendanges.
Que le crible, le van, où le froment doré
Bondit avec la paille, et retombe épuré,
La herse, les traineaux, tout l’attirail champêtre
Sans honte à mes regards osent ici paroître.
Sur-tout, des animaux que le tableau mouvant
Au-dedans, au-dehors lui donne un air vivant.
Ce n’est plus du château la parure stérile,
La grace inanimée, et la pompe immobile:
Tout vit, tout est peuplé dans ces murs, sous ces toits.
Que d’oiseaux différens, et d’instinct, et de voix,
Habitants sous l’ardoise, ou la tuile, ou le chaume,
Famille, nation, république, royaume,
M’occupent de leurs mœurs, m’amusent de leurs jeux!
A leur tête est le coq, père, amant, chef heureux,
Qui, roi sans tyrannie, et sultan sans mollesse,
A son sérail ailé prodiguant sa tendresse,
Aux droits de la valeur joint ceux de la beauté,
Commande avec douceur, caresse avec fierté,
Et fait pour les plaisirs, et l’empire, et la gloire,
Aime, combat, triomphe, et chante sa victoire.
Vous aimerez á voir leurs jeux, et leurs combats,
Leurs haines, leurs amours, et jusqu’á leurs repas.
La corbeille á la main, la sage ménagére
A peine a reparu; la nation légére
Du sommet de ses tours, du penchaut de ses toits
En tourbillons bruyans descend toute á la fois:
La foule avide en cercle autour d’elle se presse;
D’autres, toujours chassés, et revenant sans cesse,
Assiégent la corbeille, et jusques dans la main,
Parasites hardis, viennent ravir le grain.
Soignez donc, protégez ce peuple domestique.
Que leur logis soit sain, et non pas magnifique.
Que lui font des réduits richement décorés,
Le marbre des bassins, les grillages dorés?
Un seul grain de millet leur plairoit davantage.
La Fontaine l’a dit. O véritable sage!
La Fontaine, c’est toi qu’il faudroit en ces lieux;
Chantre heureux de l’instinct, ils t’inspireroient mieux.
Le paon, fier d’étaler l’iris qui le décore,
Du dindon rengorgé l’orgueil plus sot encore,
Pourroient á nos dépens égayer ton pinceau.
Lá, de tes deux pigeons tu verrois le tableau,
Et deux coqs amoureux, á la discorde en proie,
Te feroient dire encore: «Amour, tu perdis Troie»!
Ainsi nous plait la ferme, et son air animé.
Dans cet autre réduit, quel peuple renfermé
De ses cris inconnus a frappé mes oreilles?
Lá, sont des animaux, étrangères merveilles,
Lá, dans un doux exil vivent emprisonnés
Quadrupèdes, oiseaux, l’un de l’autre étonnés.
N’allez point rechercher les espèces bizarres.
Préférez les plus beaux, et non pas les plus rares.
Offrez-nous ces oiseaux qui, nés sous d’autres cieux,
Favoris du soleil, brillent de tous ses feux,
L’or pourpré du faisan, l’émail de la pintade.
Logez plus richement ces oiseaux de parade;
Eux-mêmes sont un luxe, et puisque leur beauté
Rachette á vos regards leur inutilité,
De ces captifs brillans que les prisons soient belles.
Sur tout, ne m’offrez point ces animaux rebelles,
De qui l’orgueil s’indigne, et languit dans nos fers.
Eh! quel œil sans regret peut voir le roi des airs,
L’aigle, qui se jouoit au milieu de l’orage,
Oublier aujourd’hui dans une indigne cage
La fierté de son vol, et l’eclair de ses yeux?
Rendez-lui le soleil, et la voûte des cieux:
Un être degradé ne peut jamais nous plaire.
Mais tandis qu’etalant leur parure etrangère,
Ces hôtes differens semblent briguer mon choix,
Mon odorat charmé m’appelle sous ces toits
Ou, de même exilés, et ravis á leur terre,
D’etrangers vegetaux habitent sous le verre.
Entourez d’un air doux ces frêles nourrissons.
Mais, vainqueur des climats, respectez les saisons;
Ne forcez point d’eclore, au sein de la froidure,
Des biens qu’à d’autres temps destinoit la nature.
Laissez aux lieux fletris par des hivers constans
Ces fruits d’un faux eté, ces fleurs d’un faux printemps;
Et lorsque le soleil va mûrir vos richesses,
Sans forcer ses presens, attendez ses largesses.
Mais j’aime á voir ces toits, ces abris transparens
Receler des climats les tributs differens,
Cet asyle enhardir le jasmin d’Iberie,
La pervanche frileuse oublier sa patrie,
Et le jeune ananas par ces chaleurs trompé
Vous livrer de son fruit le trésor usurpé.
Motivez donc toujours vos divers edifices,
Des animaux, des fleurs agréables hospices.
Combien d’autres encore, adoptés par les lieux,
Approuvés par le goût, peuvent charmer nos yeux!
Sous ces saules, que baigne une onde salutaire,
Je placerois du bain l’asyle solitaire.
Plus loin, une cabane où regne la fraicheur,
Offriroit les filets, et la ligne au pêcheur.
Vous voyez de ce bois la douce solitude;
J’y consacre un asyle aux Muses, á l’etude.
Dans ce majestueux, et long enfoncement
J’ordonne un obelisque, auguste monument.
Il s’elève, et j’ecris sur la pierre attendrie:
A nos braves Marins, mourans pour la Patrie.
Ainsi vos bâtimens, vos asyles divers
Ne seront point oisifs, ne seront point deserts.
Au site assortissez leur figure, leur masse.
Que chacun avec goût etabli dans sa place,
Jamais trop resserré, jamais trop etendu,
N’eclipse point la scene, et n’y soit point perdu.
Sachez ce qui convient, ou nuit au caractere.
Un reduit ecarte dans un lieu solitaire
Peint mieux la solitude encore, et l’abandon.
Montrez-vous donc fidele á chaque expression.
N’allez pas au grand jour offrir un hermitage,
Ne cachez point un temple au fond d’un bois sauvage;
Un temple veut paroitre au penchant d’un côteau.
Son site aerien repand dans le tableau
L’eclat, la majesté, le mouvement, la vie.
Je crois voir un aspect de la belle Ausonie.
Telle est des bâtimens la grace, et la beauté.
Mais de ces monumens la brillante gaieté,
Et leur luxe moderne, et leur fraiche jeunesse,
Des antiques debris valent-ils la vieillesse?
L’aspect désordonné de ces grands corps épars,
Leur forme pittoresque attache les regards.
Par eux le cours des ans est marqué sur la terre.
Détruits par les volcans, ou l’orage, ou la guerre,
Ils instruisent toujours, consolent quelquefois.
Ces masses que du temps sentent aussi le poids,
Enseignent à céder à ce commun ravage,
A pardonner au sort. Telle jadis Carthage
Vit sur ses murs détruits Marius malheureux,
Et ces deux grands débris se consoloient entr’eux,
Liez donc á vos plans ces vénérables restes.
Et toi, qui m’égarant dans ces sites agrestes,
Bien loin des lieux frayés, des vulgaires chemins,
Par des sentiers nouveaux guides l’art des jardins,
O sœur de la Peinture, aimable Poésie,
A ces vieux monumens viens redonner la vie:
Viens présenter au goût ces riches accidens,
Que de ses lentes mains a dessinés le temps.
Tantôt, c’est une antique, et modeste chapelle.
Saint asyle, ou jadis dans la saison nouvelle,
Vierges, femmes, enfans, sur un rustique autel
Venoient pour les moissons implorer l’Eternel.
Un long respect consacre encore ces ruines.
Tantôt, c’est un vieux fort, qui, du haut des collines,
Tyran de la contrée, effroi de ses vassaux,
Portoit jusques au ciel l’orgueil de ses creneaux;
Qui, dans ces temps affreux de discorde, et d’alarmes,
Vit les grands coups de lance, et les nobles faits d’armes
De nos preux Chevaliers, des Baiards, des Henris;
Aujourd’hui la moisson flotte sur ses débris.
Ces débris, cette mâle, et triste architecture,
Qu’environne une fraiche, et riante verdure,
Ces angles, ces glacis, ces vieux restes de tours,
Où l’oiseau couve en paix le fruit de ses amours,
Et ces troupeaux peuplant ces enceintes guerrières,
Et l’enfant qui se joue où combattoient ses pères;
Saisissez ce contraste, et déployez aux yeux
Ce tableau doux, et fier, champêtre, et belliqueux.
Plus loin, une abbaye antique, abandonnée,
Tout-á-coup s’offre aux yeux de bois environnée.
Quel silence! C’est lá qu’amante du désert
La méditation avec plaisir se perd
Sous ces portiques saints, où des vierges austéres,
Jadis, comme ces feux, ces lampes solitaires,
Dont les mornes clartés veillent dans le saint lieu,
Pâles, veilloient, brûloient, se consumoient pour Dieu.
Le saint recueillement, la paisible innocence
Semble encor de ces lieux habiter le silence.
La mousse de ces murs, ce dôme, cette tour,
Les arcs de ce long cloitre impénétrable au jour,
Les dégrés de l’autel usés par la prière,
Ces noirs vitraux, ce sombre, et profond sanctuaire,
Où peut-être des cœurs en secret malheureux
A l’inflexible autel se plaignoient de leurs nœuds,
Et pour des souvenirs encor trop pleins de charmes,
A la religion déroboient quelques larmes;
Tout parle, tout émeut dans ce séjour sacré.
Lá, dans la solitude en rêvant égaré,
Quelquefois vous croirez, au déclin d’un jour sombre,
D’une Héloise en pleurs entendre gémir l’ombre.
Mettez donc á profit ces restes précieux,
Augustes ou touchans, profanes ou pieux.
Mais loin ces monumens dont la ruine feinte
Imite mal du temps l’inimitable empreinte,
Tous ces temples anciens récemment contrefaits,
Ces restes d’un château qui n’exista jamais,
Ces vieux ponts nés d’hier, et cette tour gothique
Ayant l’air délabré, sans avoir l’air antique,
Artifice á la fois impuissant, et grossier.
Je crois voir cet enfant tristement grimacier,
Qui, jouant la vieillesse, et ridant son visage,
Perd, sans paroitre vieux, les graces du jeune âge.
Mais un débris réel intéresse mes yeux,
Jadis contemporain de nos simples aieux,
J’aime á l’interroger, je me plais á le croire.
Des peuples, et des temps il me redit l’histoire.
Plus ces temps sont fameux, plus ces peuples sont grands,
Et plus j’admirerai ces restes imposans.
O champs de l’Italie! ô campagnes de Rome,
Ou dans tout son orgueil git le néant de l’homme!
C’est lá que des débris fameux par de grands noms,
Pleins de grands souvenirs, et de hautes leçons,
Vous offrent ces aspects, trésors des paysages.
Voyez de toutes parts, comme le cours des âges
Dispersant, déchirant de précieux lambeaux,
Jettant temple sur temple, et tombeaux sur tombeaux,
De Rome étale au loin la ruine immortelle;
Ces portiques, ces arcs, où la pierre fidelle
Garde du peuple-roi les exploits éclatans;
Leur masse indestructible a fatigué le temps.
Des fleuves suspendus ici mugissoit l’onde;
Sous ces portes passoient les dépouilles du monde;
Par-tout confusément dans la poussière épars,
Les thermes, les palais, les tombeaux des Césars,
Tandis que de Virgile, et d’Ovide, et d’Horace,
La douce illusion nous montre encor la trace.
Heureux, cent fois heureux l’artiste des jardins,
Dont l’art peut s’emparer de ces restes divins!
Déjá la main du temps sourdement le seconde;
Déjá sur les grandeurs de ces maitres du monde
La nature se plait á reprendre ses droits.
Au lieu même ou Pompée, heureux vainqueur des Rois,
Etaloit tant de faste, ainsi qu’aux jours d’Evandre,
La flute des bergers revient se faire entendre.
Voyez rire ces champs au laboureur rendus,
Sur ces combles tremblans ces chevreaux suspendus,
L’orgueilleux obélisque au loin couché sur l’herbe,
L’humble ronce embrassant la colonne superbe;
Ces forêts d’arbrisseaux, de plantes, de buissons,
Montant, tombant en grappe, en touffes, en festons;
Par le souffle des vents semés sur ces ruines,
Le figuier, l’olivier, de leurs foibles racines
Achèvent d’ebranler l’ouvrage des Romains;
Et la vigne flexible, et le lierre aux cent mains,
Autour de ces débris rampant avec souplesse,
Semblent vouloir cacher, ou parer leur vieillesse.
Que si vous n’avez pas ces restes renommés,
N’avez-vous pas du moins ces bronzes animés,
Et ces membres vivans, déités des vieux âges,
Où l’art seul fut divin, et força les hommages?
Je sais qu’un goût sévère a voulu des jardins
Exiler tous ces dieux des Grecs, et des Romains.
Et pourquoi? Dans Athène, et dans Rome nourrie,
Notre enfance a connu leur riante Féerie.
Ces dieux n’étoient-ils pas laboureurs, et bergers?
Pourquoi donc leur fermer vos bois, et vos vergers?
Sans Pomone, vos fruits oseront-ils éclore?
De l’empire des fleurs pouvez-vous chasser Flore?
Ah! que ces dieux toujours enchantent nos regards!
L’idolâtrie encore est le culte des arts.
Mais que l’art soit parfait; loin des jardins qu’on chasse
Ces dieux sans majesté, ces déesses sans grace.
A chaque déité choisissez son vrai lieu.
Qu’un dieu n’usurpe pas les droits d’un autre dieu.
Laissez Pan dans les bois. D’où vient que ces Naiades,
Que ces Tritons à sec se mêlent aux Dryades?
Pourquoi ce Nil en vain couronné de roseaux,
Et dont l’urne poudreuse est l’abri des oiseaux?
Otez-moi ces lions, et ces tigres sauvages:
Ces monstres me font peur, même dans leurs images,
Et ces tristes Césars, cent fois plus monstres qu’eux,
Aux portes des bosquets sentinelles affreux,
Qui tout hideux encor de soupçons, et de crimes,
Semblent encor de l’œil désigner leurs victimes.
De quel droit s’offrent-ils dans ce riant séjour?
Montrez-moi des mortels plus chers á notre amour.
En des lieux consacrés á leur apothéose,
Créez un Elysée où leur ombre repose.
Loin des profanes yeux, dans des vallons couverts
De lauriers odorans, de myrtes toujours verds,
En marbre de Paros offrez-nous leurs images.
Qu’une eau lente se plaise á baigner ces bocages,
Et qu’aux ombres du soir mêlant un jour douteux,
Diane aux doux rayons soit l’astre de ces lieux.
Leur tranquille beauté, sous ces dais de verdure
De ces marbres cheris la blancheur tendre, et pure,
Ces grands hommes, leur calme, et simple majesté,
Cette eau silencieuse, image du Léthé,
Qui semble pour leurs cœurs, exempts d’inquiétude,
Rouler l’oubli des maux, et de l’ingratitude,
Ces bois, ce jour mourant sous leur ombrage épais,
Tout des manes heureux y respire la paix.
Vous donc, n’y consacrez que des vertus tranquilles.
Loin tous ces conquérans en ravages fertiles:
Comme ils troubloient le monde, ils troubleroient ces lieux.
Placez-y les amis des hommes, et des dieux,
Ceux de qui les bienfaits vivent dans la mémoire,
Ces rois dont leurs sujets n’ont point pleuré la gloire;
Montrez-y Fénelon á notre œil attendri;
Que Sully s’y relève embrassé par Henri.
Donnez des fleurs, donnez; j’en couvrirai ces sages
Qui, dans un noble exil, sur de lointains rivages
Cherchoient, ou répandoient les arts consolateurs;
Toi sur-tout, brave Cook, qui, cher á tous les cœurs,
Unis par les regrets la France, et l’Angleterre;
Toi qui, dans ces climats où le bruit du tonnerre
Nous annonçoit jadis, Triptolème nouveau,
Apportois le coursier, la brebis, le taureau,
Le soc cultivateur, les arts de ta patrie,
Et des brigands d’Europe expiois la furie.
Ta voile en arrivant leur annonçoit la paix,
Et ta voile en partant leur laissoit des bienfaits.
Reçois donc ce tribut d’un enfant de la France.
Et que fait son pays á ma reconnoissance?
Ses vertus en ont fait notre concitoyen.
Imitons notre Roi, digne d’être le sien.
Hélas! de quoi lui sert que deux fois son audace
Ait vu des cieux brûlans, fendu des mers de glace;
Que, des peuples, des vents, des ondes révéré,
Seul sur les vastes mers son vaisseau fût sacré;
Que pour lui seul la guerre oubliat ses ravages?
L’ami du monde, helas! meurt en proie aux sauvages.
Vous qui pleurez sa mort, fiers enfants d’Albion,
Imitez, il est tems, sa noble ambition.
Pourquoi dans vos égaux cherchez-vous des esclaves?
Portez leur des bienfaits, et non pas des entraves.
Le front ceint de lauriers cueillis par les François,
La victoire aujourd’hui sollicite la paix.
Descends, aimable paix, si long-temps attendue,
Descends; que ta présence á l’univers rendue,
Embellisse les lieux qu’ont célébré mes vers;
Viens; forme un peuple heureux de cent peuples divers.
Rends l’abondance aux champs, rend le commerce aux ondes,
Et la vie aux beaux arts, et le calme aux deux mondes.

FIN DU QUATRIEME CHANT.