D. Pedro, Ignez, e Elvira.(20)
(20) Ignez, apenas vê D. Pedro, busca enxugar as lagrimas. Elvira affasta-se para o fundo da Scena, e pouco depois se retira.
Ped. Ignez, querida Esposa... Mas que vejo!.. Debalde buscas enxugar teu pranto: Aos olhos de hum amante nada escapa. Impressas no teu rosto bem diviso As afflicçôes, que o coração me partem. Que motivo... Mas devo eu pergunta-lo? Não sei assaz a origem dos teus males?.. Eu sou, sim, sou eu mesmo o teu flagello; Mas o teu defensor, o teu Esposo: Nada receies pois, nada te afflija... Porém as tuas lagrimas se dobrão?.. Oh Ceos!..
Ign. .... Amado Esposo, não repares, Não te afflijas co'as lagrimas que choro: As tuas expressões, tua presença Aggravão minha dor, meu pranto augmentão. Ah! pelos tristes olhos sahir deixa Meu coração em lagrimas desfeito.
Ped. Antes em borbotões todo o meu sangue Eu quero ver correr, do que o teu pranto. De tua alma desterra vãos temores, Extermina os pezares, não succumbas A males transitorios que te opprimem. Os caprichos do Fado, a desventura Calcaremos aos pés: sim, cara Esposa, Sempre unidos seremos venturosos.
Ign. Unidos dizes tu!.. Oh Ceos!.. Unidos?..
Ped. Pois quem, quem poderia separar-nos?
Ign. O rigor... Ai de mim! Que vou dizer-te?.. Que raio a triste Ignez vai fulminar-te?.. Poupar teu coração, oh Ceos, quizera; Porém eu a deixar-te não me atrevo, Sem que te diga adeos... Ah! caro Esposo! Aperta-me em teus braços, e recebe As minhas derradeiras despedidas.
Ped. Que escuto!.. Que acontece?.. Ignez, que dizes?
Ign. Para sempre de ti vou separar-me.